Beto pivô de “climão” no STJ

A coluna Painel, da Folha de S.Paulo, informa que Beto Richa virou pivô de um clima de tensão entre o presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e seu colega de corte, ministro Felix Fischer: “Azedou 1 - Desde que o presidente do Superior Tribunal de Justiça, João Otávio de Noronha, criticou o juiz Fernando Fischer, filho de seu colega de corte Felix Fischer, o clima entre os dois ministros não é dos melhores”. “Azedou 2 – Na segunda (17), Noronha disse num evento em SP que a decisão do filho de Fischer de prender Beto Richa (PSDB-PR) causava ‘arrepio’ e que ‘todo mundo quer ser [Sergio] Moro’. Nesta quarta (19), no STJ, segundo integrantes da corte, os dois discutiram antes da sessão”.

Apoio a Bolsonaro

O vídeo gravado pelo apresentador Carlos Roberto Massa, o Ratinho, em que dá entusiasmado apoio à candidatura presidencial de Jair Bolsonaro (PSL) gerou um terremoto nas relações entre o Podemos – partido do presidenciável Alvaro Dias – e a cúpula da coligação liderada por Ratinho Jr. (PSD), que disputa o governo do Estado.

Traição

O mal-estar provém do fato de que Alvaro Dias, ao longo de meses, moveu todos os esforços para facilitar a eleição de Ratinho Jr. já no primeiro turno. Colocou o Podemos para integrar a coligação e indicou o professor Oriovisto Guimarães como candidato a senador na chapa.

Facada

Alvaro esperava, claro, reciprocidade. E a reciprocidade viria pelo apoio que Ratinho-pai e Ratinho-filho dessem à empreitada presidencial de Alvaro. Mas não: as peças de propaganda de Ratinho Jr. não incluem o nome do aliado e, por fim, a facada: Ratinho-pai grava vídeo e vai ao Espírito Santo para fazer campanha em favor de Bolsonaro e do senador de lá, Magno Malta. As relações estão estremecidas e devidamente comunicadas a quem interessar possa.

Piloto I

Todas as decisões tomadas pelo juiz Sergio Moro no âmbito da Operação Piloto foram confirmadas pelo novo juiz do caso, Paulo Sérgio Ribeiro, da 23ª Vara Federal Criminal de Curitiba – o que inclui a manutenção sob prisão preventiva do ex-chefe de Gabinete Deonilson Roldo e do empresário-amigo Jorge Atherino, além de empresários e operadores envolvidos na fraude da licitação da PR-323 que beneficiaria – se não tivesse sido cancelada – a empreiteira Odebrecht.

Piloto II

O inquérito aberto pelo MPF (Ministério Público Federal) estava sob a responsabilidade de Sergio Moro, em razão das ligações entre alguns dos atores que participaram do esquema com a Lava Jato. A certo momento, o STJ, a pedido da defesa de Richa, as investigações passaram para a responsabilidade da Justiça Eleitoral que, no entanto, entendeu que os fatos revelados não eram de caixa 2, mas de crimes comuns.

Piloto III

O processo voltou, então, às mãos de Sergio Moro, que teve tempo de aceitar a denúncia do MPF, decretar as prisões preventivas e mandar aprofundar as investigações. Até que, na semana passada, o STJ outra vez decidiu que o assunto não era da competência do juiz da 13ª Vara Criminal Federal e determinou a redistribuição dos autos.

Sem refresco

Isso fez que caíssem na mesa do juiz Paulo Sérgio Ribeiro, que acatou as recomendações de Sergio Moro e manteve tudo quanto até então havia sido decidido. Ou seja, a defesa de Beto Richa conseguiu apenas trocar a fama – a fama de Sergio pela discrição do novo magistrado, mas que, pelos primeiros sinais, se mostra tão duro quanto o colega.