Concluímos a reflexão da postagem anterior com uma citação de Bert Hellinger na qual ele nos responde quando passa a existir um vínculo entre duas pessoas. Para dar sua resposta, Hellinger parte de sua experiência com as constelações familiares. A partir do que tem se mostrado nas constelações, Bert constata três distintas situações que podem gerar um vínculo entre as pessoas. Didaticamente, são as seguintes: (a) quando aconteceu um encontro sexual; (b) quando do encontro sexual resultou um filho, mesmo que não nascido; (c) quando o casal chegou a firmar um noivado ou um casamento.

Hellinger, porém, deixa em aberto a possibilidade de existirem outras situações – que ele chama de “casos intermediários” – que podem igualmente criar vínculos. Se você quiser descobrir se na sua vida existem outros vínculos – afora os casos listados por Hellinger – procure um profissional habilitado e faça uma Constelação Familiar.  Você pode ter surpresas!

Vamos olhar brevemente para as situações em que é seguro que, segundo Hellinger, um vínculo forte foi estabelecido. Como se pode confirmar isso? Hellinger nos responde do seguinte modo: “Por que resulta doloroso quando um casal se separa? Por que em uma separação se dão enfrentamentos tão violentos? Por que se produzem esses sentimentos dolorosos de fracasso e de culpa na separação? Tudo isso se dá porque existe um vínculo” (Hellinger, B. Lograr el amor en la pareja, p.19).

Para Hellinger nada é mais determinante para o estabelecimento de um vínculo forte entre um casal do que a consumação sexual. Este vínculo resultante da consumação sexual se torna ainda mais forte, pensa Hellinger, quando dele resulta um filho: “É absolutamente o mais forte dos vínculos. Separar-se dos pais não traz tanta dor e culpa quanto separar-se de um parceiro a quem se estava ligado. Isso se mostra pelos efeitos” (Hellinger, B. Ordens do Amor, p. 133).

Existem, porém, também o que Hellinger designou “casos intermediários”. São as situações nas quais pode ter havido um relacionamento sem que nos tenhamos dado conta disso e, consequentemente, termos vínculos dos quais não temos lembrança. Trata-se daquelas relações de amizade nas quais não houve encontro sexual, às vezes sequer contatos físicos mais íntimos, mas que impactaram a nós e/ou a outra pessoa de uma forma intensa. Isso pode acontecer de ambos os lados. Por um lado eu posso produzir um vínculo com a pessoa ao produzir nela uma expectativa de relação pelo modo como a trato sem que isso tenha maior significado para mim. Por outro lado, posso gerar em mim um vínculo pelas expectativas que criei através do modo como fui tratado sem que isso tenha um significado maior para a outra pessoa.

Os vínculos abertos precisam ser concluídos para que o vínculo atual tenha melhores chances de êxito. Procure um profissional e faça a conclusão de seus vínculos passados!

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JOSÉ LUIZ AMES E ROSANA MARCELINO são terapeutas sistêmicos e conduzem a Amparar.