O plenário da Câmara derrubou ontem, com apoio de 388 deputados, a tentativa de instituir um sistema de “voto preferencial” para a eleição de presidente, governadores e prefeitos. A inovação fazia parte do texto da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da reforma eleitoral, que começou a ser votada na quarta no plenário da Casa, quando já tinha sido derrubado o chamado “distritão”. As mudanças valeriam a partir de 2024.

Pela proposta, seria criado um sistema em que o eleitor escolheria até cinco candidatos, em ordem de preferência, para cada um dos três cargos. Somados os votos, venceria aquele que alcançasse maioria absoluta (metade mais um voto) entre as escolhas preferenciais dos eleitores.

Caso nenhum obtivesse maioria absoluta, seriam adotados critérios secundários para definir o vencedor. Dessa forma, não haveria mais segundo turno para presidente, governadores e prefeitos. A ideia foi votada na manhã de ontem, em separado, após um pedido de destaque do PT, contrário ao texto, e foi rejeitada por 388 votos a 36.

O partido Novo foi um dos que apoiaram a proposta. Segundo a legenda, a novidade ajudaria a reduzir a polarização nas escolhas para os cargos majoritários, já que os eleitores poderiam votar sob menos pressão para derrotar o candidato que rejeitam. “Hoje, os partidos de centro nem são considerados. [Os eleitores] só vão em busca da polarização”, argumentou o deputado Tiago Mitraud (Novo-MG).

Para a maioria dos líderes partidários, porém, a mudança seria muito complexa e o segundo turno já faz parte da cultura do eleitor. “Muitas vezes se usa a palavra polarização para retirar a palavra nitidez. Se os partidos de centro estão com dificuldades eleitorais, é porque as propostas desses partidos de centro não têm conseguido atrair os eleitores”, rebateu o deputado Henrique Fontana (PT-RS).