São Paulo – Apoiados no bom humor do exterior, com os índices de Europa e Nova York fechando em alta, a Bolsa brasileira (B3) subiu 0,42%, aos 125.929,25 pontos nessa quarta-feira (21), apesar do cenário político movimentado, ante a pequena reforma ministerial que será feita no governo. No câmbio, o dólar subiu 0,76%, cotado a R$ 5,1916.

Apesar do resultado, o dólar ainda acumula alta de 1,49% na semana e valorização de 4,39% em julho. Segundo analistas, a recuperação do apetite ao risco no exterior, com alta firme das Bolsas americanas, do petróleo e do rendimento dos títulos do Tesouro americano, se sobrepôs aos ruídos políticos locais e abriu espaço para a “correção dos exageros” na depreciação do real, que liderou a perda entre divisas emergentes no auge dos temores globais com a cepa Delta do coronavírus.

Depois de anunciar o veto ao fundo eleitoral, de R$ 5,7 bilhões, o presidente Jair Bolsonaro disse ontem que vai anunciar uma “pequena mudança ministerial” na segunda-feira (26) – leia mais na página 3. Bolsonaro também anunciou que vai “descontigenciar” todos os recursos do orçamento dos ministérios, pretextando aumento da arrecadação federal.

Nas mesas de operação, teme-se que a perda de popularidade de Bolsonaro esgarce seu capital político, abale sua base no Congresso e impeça a votação das reformas.

“Olhando a conjuntura política, um dólar ainda acima de R$ 5 ainda faz muito sentido”, afirma a economista-chefe do Banco Ourinvest, Fernanda Consorte. “Nosso cenário ainda é de dólar a R$ 5,20 no fim do ano, e com muita volatilidade no meio do caminho. Tudo o mais constante, a Selic mais alta diminuiria a taxa de câmbio. Mas o retrato do Brasil ainda é muito ruim. Não vejo um fluxo grande de recursos nos próximos meses.”