201607101210370524_AFP.jpg Japão TÓQUIO – A coalizão do Primeiro Ministro Shinzo Abe, no poder, obteve vitória em uma eleição para a câmara alta do Parlamento neste domingo no Japão, apesar das preocupações sobre suas políticas econômicas e seus planos de revisar a constituição pacifista do pós-guerra do país pela primeira vez.

Projeções da mídia mostraram que a coalizão de Abe e seus partidos afins havia vencido dois terços da “supermaioria” necessária para tentar revisar as restrições constitucionais aos militares, em um passo que poderia tensionar os laços com a China, onde as memórias do passado militarista do Japão são profundas.

O Partido Liberal Democrata de Abe (PLD) também venceu maioria simples pela primeira vez desde 1989, segundo as projeções. Essa vitória irá reforçar o controle de Abe sobre o partido conservador que ele levou de volta ao poder em 2012, prometendo reerguer a economia com uma política monetária hiper-fácil, gastos fiscais e reformas.

Abe disse em transmissão televisiva que era muito cedo para falar sobre revisões específicas na Constituição e seu número 2 do partido afirmou, separadamente, que negociações com a oposição se faziam necessárias.

– Tenho mais dois anos do meu mandato (como presidente do PLD) e esse é um objetivo do PLD, então quero tratar dele com calma – disse Abe.

No Japão, alguns participantes do mercado financeiro temem que alterar a Constituição desviaria a energia de Abe para reanimar a economia.

– A questão chave será saber se ele pode levar a cabo reformas estruturais (econômicas) – disse Nobuhiko Kuramochi, estrategista chefe da Mizuho Securities. – Se Abe falhar nisso apesar da liberdade política que ele ganhou, isso será negativo para o apetite dos investidores estrangeiros pelas ações japonesas.

O partido Democrátido co Japão, de oposição, se juntou a três outros partidos menores incluindo o Partido Comunista Japonês, para tentar impedir que o campo pró-reforma constiucional obtenha super maioria.

Conservadores vêem a Constituição como um símbolo humilhante da derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial. Seus admiradores a consideram uma fonte da paz e da democracia no pós-guerra. Sua revisão precisa da aprovação de dois terços em ambas as casas do Parlmaneto e de uma maioria em referendo público.

– Acreditamos que a Constituição é algo que coloca um limite sobre o poder, mas infelizmente, não é isso que o (rascunho do) PLD faz – disse Yukio Edano, secretário-geral do Partido Democrático. – Se não há acordo comum nesse ponto, então não há plataforma sobre a qual possamos debater artigos individuais.

Pesquisas mostram que a maioria dos eleitores não vêem necessidade de revisar a Constituição.

– Com esses números… ele (Abe) vai querer ver o que consegue alcançar) – disse o professor emérito da Columbia University Gerry Curtis. – Isso significa menos atenção à economia e muitas voltas sobre a Constituição.