Passar por um episódio de covid-19 não é fácil, e na gestação, a angústia e o medo aumentam ainda mais. Anderson e Daniela Saboia passaram por esse momento. Foi na 30ª semana da gestação que Daniela teve o diagnóstico da doença, e um parto prematuro no HUOP (Hospital Universitário do Oeste do Paraná). O filho, Daniel, chegou ao mundo pensando menos de 1,5 kg. “Esperei para conhecê-lo por conta da covid-19, e fiquei bastante abalado. Peguei os papéis para registrá-lo sem saber se ele ia resistir”, diz Anderson.

Daniela ficou por pouco tempo internada, mas precisou esperar a recuperação da covid-19 para entrar na Unidade de Terapia Intensiva conhecer o filho. “Sem poder ter esse contato foi muito difícil, mas tivemos um amparo muito importante da equipe, e foi um milagre e um alívio muito grande quando fomos para casa”, conta Anderson.

A distância do bebê nos primeiros dias é necessária para evitar o contágio da covid-19. O protocolo na UTI Neonatal é de que o bebê seja isolado por pelo menos 14 dias, período em que realiza também dois exames para detectar a presença do vírus. “É um protocolo de segurança, e mantemos todo o cuidado possível para evitar possíveis contaminações do vírus respiratório. Então toda a paramentação e isolamento é essencial”, explica a enfermeira do setor, Camila Caroline Minosso.

Até o momento, no Huop, nenhum bebê foi contaminado na transmissão vertical (durante a gestação, parto ou pós-parto). “Mesmo assim não descuidamos e continuamos tratando como bebês positivados até o segundo teste negativo, e a visita somente é liberada após os pais estarem com resultado negativo da doença. É necessário esse cuidado para não contaminar os profissionais de saúde e outros bebês que estão internados na unidade”, afirma a fisioterapeuta, Joseane Nobre.

A Covid-19 tem favorecido o parto prematuro, “e em alguns meses que percebemos um aumento de casos assim. A assistência para esse bebê na UTI Neonatal é essencial, pois contaminado ou não com a doença, é um recém-nascido sensível, que necessita um cuidado especial, com ventilação mecânica e acompanhamento de exames”, avalia Joseane.

HUMANIZAÇÃO

Sabendo que a distância do recém-nascido é difícil, a equipe tenta minimizar essa angústia. “Além de todas as informações sobre o estado de saúde, a equipe também se preocupa em tirar fotos, fazer vídeo-chamadas pelo celular, mostrar o primeiro banho, tudo o que os pais não estão acompanhando no primeiro dia e sabemos que eles gostariam de estar participando”, diz Joseane.

Pensando na humanização do atendimento, a técnica de enfermagem, Sandra Viviana, também enfeita os bebês. Um simples material descartável utilizado no atendimento, como a gase, para a técnica, vira um laço ou gravata para os bebês. “Percebemos que os pais têm gostado, e eles ficam felizes, pois acolhemos o filho deles como se fossem nossos, e isso é muito importante, pois eles sabem que estão sendo bem cuidados”, comenta Sandra.

E foi assim que Anderson e Daniela ficaram um pouco mais tranquilos durante todo esse período. “O Daniel veio para somar nossa família, e somos muito gratos por todo o amparo que tivemos no hospital. Hoje ele está bem, saudável, esperto, e só temos a agradecer. Sou muito grato a Deus por ter nos dado essa criança e conseguirmos vencer isso”, relata Anderson. “Temos sempre que pensar na humanização, pois na Neonatal são os pais que tem o risco iminente de perder seus filhos, totalmente ao inverso do ciclo da vida. Então é importante esse acolhimento e essa empatia em se colocar no lugar do pai e da mãe que não podem vir ao hospital, e estão distantes”, finaliza Joseane.