Marechal Cândido Rondon – A região oeste amanheceu ontem com a notícia de mais uma operação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado). Desta vez, o alvo era a casa do deputado estadual Ademir Bier (PSD), em Marechal Cândido Rondon, além do seu gabinete na Assembleia Legislativa do Paraná. Um assessor de Bier e outro do deputado Luiz Cláudio Romanelli (PSB) foram presos. Os deputados não são investigados.

A investigação do Ministério Público do Paraná é sobre suposto esquema de fura-fila no SUS e indica uma intensa atuação do assessor parlamentar Paulo de Morais, o Paulinho, nomeado no gabinete do deputado Ademir Bier.

Segundo os investigadores da Operação Mustela, deflagrada nessa segunda-feira (10) para prender dois médicos e outros dez suspeitos de ligação com o fura-fila, Paulinho chamava propina de “pacotinho”. Em outubro, o assessor do deputado caiu no grampo telefônico. Ele disse que agia há mais de dez anos, período em que teria encaminhado cerca de 10 mil procedimentos cirúrgicos “por fora”.

“Neste caso, havia a nítida intenção de recebimento de dinheiro ‘por fora’ a favor dos médicos e de hospitais e o SUS é que acabava, então, pagando esse tratamento, com prejuízo de todos aqueles que, pacientemente, aguardam [na fila]. Todos sabem que a principal reclamação do brasileiro é o tratamento da saúde”, disse um dos promotores da Operação Mustela.

Outro na mira do Gaeco é Lourival Aparecido Pavão, ex-assessor do governador eleito Ratinho Júnior (PSD) e até agosto nomeado na 1ª Vice-Presidência da Alep, comandada por Guto Silva (PSD), futuro chefe da Casa Civil do Governo Ratinho Jr. Segundo os investigadores, Pavão “intermediava” contatos entre pacientes interessados em cirurgias e os médicos sob suspeita.

Dentre os 44 mandados de busca e apreensão, um dos alvos era o diretório do PSC em Curitiba. A investigação atinge ainda o Hospital São Lucas, em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba.

O esquema

Segundo o MP, as investigações foram iniciadas há cerca de 18 meses na Promotoria de Justiça de Campo Largo. O procurador Leonir Batisti explicou que o esquema foi orquestrado por uma quadrilha interessada em ter vantagens financeiras a partir da negociação para furar a fila do SUS. De acordo com ele, os pacientes eram instruídos a pagar uma consulta particular e depois disso conseguiam entrar na frente dos demais doentes.

Segundo as investigações, elementos colhidos durante a apuração (por meio de interceptação telefônica, quebra de dados e ações controladas) demonstram o aparente envolvimento sistemático e contumaz em crimes contra a administração pública envolvendo médicos, funcionários de hospitais e agentes públicos que se organizavam de modo estruturado para captar pacientes que necessitavam de procedimentos de saúde.

Nota de esclarecimento

Em nota, o deputado estadual Ademir Bier disse que aguarda para ter acesso à investigação para emitir uma resposta definitiva ao caso. “Contudo, desde já, é importante deixar claro para a opinião pública que refuta veementemente o seu envolvimento em qualquer ilícito”.

Sobre o caso, “sabe-se apenas que um assessor comissionado, conhecido como ‘Paulinho’, vinculado ao gabinete do deputado, foi preso na manhã de hoje (10) pelo Gaeco, em razão de por ele ter tido efetivado supostos atendimentos e encaminhamentos de pacientes oriundos do interior, na área da saúde. Ademir Bier não tem razões para desconfiar da pessoa em questão e acredita que o assessor não está envolvido em atos irregulares.”

Acrescenta ainda que, se confirmada a participação do assessor em ilícitos, “reitera que este servidor não agiu com anuência e autorização do deputado, devendo, neste último caso, responder por seus atos.”