Após pressão de ruralistas, general é exonerado da presidência da Funai

O general disse que a Funai continua a ser alvo de interesses

Brasília – O presidente da Funai (Fundação Nacional do Índio), o general Franklimberg Ribeiro de Freitas, foi exonerado do cargo ontem. Franklimberg, que estava havia menos de cinco meses no cargo, passou a ser alvo de pressão de ruralistas liderados pelo secretário de Assuntos Fundiários do Ministério da Agricultura, Luiz Antonio Nabhan Garcia. O general disse que a Funai continua a ser alvo de interesses sem nenhuma relação com a causa indígena e que estes, mais uma vez, prevalecem no caminho da autarquia ligada ao Ministério da Justiça. “A realidade é que, infelizmente, assessores do presidente da República que pensam que conhecem a vida e a realidade dos povos indígenas têm assessorado muito mal o presidente da República”, disse Franklimberg em entrevista ao “Estado”, sem citar o nome de Nabhan.

Luiz Antonio Nabhan Garcia é amigo de longa data do presidente Jair Bolsonaro. Presidente licenciado da UDR (União Democrática Ruralista), passou a ser o principal articulador das mudanças na demarcação de terras indígenas e licenciamento ambiental envolvendo essas áreas. Ocorre que o governo não conseguiu manter a Funai debaixo de seu controle no Mapa e viu a Funai voltar para o MJ, após derrota no Congresso.

“A informação que recebi é que, na quinta-feira, quando a Funai volta para o Ministério da Justiça, já não estarei aqui. Há vetores externos sobre a Funai que, em seu histórico, sempre estão prevalecendo sobre as políticas indígenas”, disse o general.



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