A saúde, a vida dos pacientes e a higiene hospitalar

Opinião de Dilceu Sperafico

Os problemas e as deficiências do sistema hospitalar do País e do mundo vão muito além da falta de leitos, médicos, medicamentos e equipamentos para o melhor atendimento da população, especialmente de internados dependentes do sistema de saúde pública.

Pode aparecer absurdo, mas conforme relatórios da OMS (Organização Mundial da Saúde) e do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), divulgados no início do mês de abril, mais de 900 mil recém-nascidos ou quase 1 milhão de crianças morrem anualmente no planeta devido à falta de higiene de instalações hospitalares.

Conforme os levantamentos, 25% das instalações médicas e/ou hospitalares no mundo não têm água potável corrente ou enfrentam dificuldades para ter acesso aos sistemas de abastecimento, o que dificulta o atendimento, tratamento e recuperação de dois bilhões de pessoas por ano.

O estudo da OMS acrescenta que cerca de um milhão de recém-nascidos ou suas mães morrem após o parto, devido às contaminações causadas pela sujeira existente nas dependências dos hospitais onde foram internados. Mais de 90% das vítimas nestas tragédias seriam crianças, de acordo com o relatório da instituição.

Para a elaboração dos documentos, especialistas avaliaram as condições de centros sanitários de todo o mundo, constatando que uma de cada quatro destas instalações não dispõem de água de qualidade para oferecer aos seus pacientes e higienizar suas instalações, equipamentos e até roupas de camas e uniformes de funcionários.

Os mesmos estudos revelaram que um de cada cinco centros médicos e/ou hospitalares avaliados não dispunha sequer de banheiros adequados, para o atendimento de pacientes, acompanhantes, corpo médico e demais profissionais, colocando em risco a saúde e a vida de cerca de 1,5 bilhão de pessoas.

Além disso, 16% – ou um de cada seis estabelecimentos – não contavam nem mesmo com pias e outros equipamentos básicos para a lavagem de mãos de médicos e pacientes.

Essas deficiências, segundo os especialistas responsáveis pelos relatórios, impedem a prevenção de infecções e oferta de cuidados médicos de qualidade, especialmente em procedimentos como o parto, que envolvem gestantes e recém-nascidos.

Os levantamentos indicaram que todos os anos pelo menos 17 milhões de gestantes de países menos desenvolvidos dão à luz aos seus filhos em instalações sem condições higiênicas e sanitárias básicas.

Como resultado dessa situação lamentável, nada menos do 7 mil recém-nascidos morrem diariamente, tendo infecções como causas de 26% desses óbitos prematuros. Já os casos fatais de mães no parto chegam a 11% das internações de gestantes.

De acordo com médicos, enfermeiros e atendentes do mundo inteiro, os nascimentos deveriam ocorrer em locais higienizados e amparados por mãos seguras, lavadas com água e sabão, com equipamentos esterilizados e em um entorno limpo e saudável.

Para isso, segundo profissionais da saúde, é fundamental para todos os internados, especialmente crianças, a disponibilidade de centros médicos e/ou hospitalares dotados de serviços sanitários básicos, pois a água limpa, banheiros e a higiene são essenciais para o tratamento e recuperação dos pacientes e a manutenção de mundo mais saudável, seguro e humano.

Não basta, portanto, lutar pela construção de novos hospitais e postos de saúde, pois especialmente em regiões mais pobres, é preciso primeiro higienizar as instalações já disponíveis.

 

Dilceu Sperafico é ex-deputado federal pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do governo do Estado – dilceu.joao@uol.com.br

 

 

 

 

 



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