Desde que assumiu, o Governo Bolsonaro provocou uma revolução nas universidades federais. Com orçamentos bilionários, a choradeira foi inevitável. Na semana passada, a Universidade Federal do Paraná disse que não tinha mais dinheiro para continuar aberta a partir de setembro.

A queda de braço se estendeu para questões ideológicas, mas um dos grandes “quês” é o retorno desse investimento na sociedade, especialmente que boa parte dos alunos são de classes média e alta. Além disso, questiona-se o valor dos salários, geralmente engordados com adicionais nem sempre muito claros.

O MEC (Ministério da Educação) quer mudar a distribuição dos recursos e uma das linhas do estudo em andamento é ranquear por desempenho. Dentre diversos indicadores, o primeiro deles é o ranking de governança do TCU (Tribunal de Contas da União). Daí o primeiro problema. Na última edição, 86% das universidades obtiveram nota abaixo de 5, em uma escala de 0 a 10.

Uma das constatações é que algumas universidades com orçamentos menores têm se destacado nesse ranking, subsídio suficiente para dizer que não necessariamente dinheiro é que traz resultado. Ou, que ele não está sendo bem gasto.

Com o termo “governança”, o TCU mede a capacidade que as instituições têm de produzir e entregar valor, ou seja, retorno para a sociedade, geralmente em projetos de extensão.

O governo pretende discutir a nova metodologia com os reitores das universidades. Após a confusão inicial vista no primeiro semestre deste ano, a ordem agora é não promover “ruptura”.