São Paulo – A 20 dias da eleição, pouco mais da metade dos eleitores brasileiros não pretendem votar nos dois favoritos para chegar ao segundo turno: Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT). Conforme pesquisa da CNT/MDA, divulgada segunda-feira (17), a dupla soma 45,8% das intenções de voto – o capitão da reserva tem 28,2% e o petista, 17,6%. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos.

A sondagem aponta 12,3% de indecisos. Outros 28,5% afirmaram que vão votar nos demais 11 candidatos. E há 13,4% de brancos e nulos.

Esse contingente de 54,2% do eleitorado não aderiu à polarização Bolsonaro x Haddad. E esse público é que deixa a corrida eleitoral em aberto.

A primeira opção é óbvia: seguir o fluxo e se juntar ao ambiente de duelo. Inclusive, Bolsonaro tem jogado suas redes para pescar o fluido eleitorado de nomes mais próximos ao centro, como Geraldo Alckmin (PSDB) e Alvaro Dias (Podemos).

Ao reforçar o antipetismo e tumultuar o ambiente com críticas à credibilidade da urna eletrônica, convoca mais gente à luta contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e tudo de errado que está aí.

Do outro lado da trincheira, Haddad tenta convencer que é o único caminho viável para evitar Bolsonaro e suas ideias polêmicas e truculentas. Como não tem como empurrar o passado recente petista para baixo do tapete, é uma jogada que tanto chama gente para seu lado quanto para o flanco bolsonarista.

Contudo, muitos desses 54% não têm intenção de votar em nenhum deles. Daí sobram as demais opções, que até agora também parecem não ter agradado. Pela consulta CNT/MDA, em intenções de voto, a mais competitiva é a de Ciro Gomes (PDT), com 10,8%.

Ciro, porém, é uma força paralela ao lulismo, que inclusive tentou cooptar os votos petistas antes da confirmação da candidatura de Lula. Ao jogar quase todas as suas fichas na possibilidade de captar os votos dos órfãos de Lula, corre o sério risco de ser visto apenas como um bastardo da esquerda. No front do ex-presidente, só há espaço para um filho legítimo, Haddad.

Do outro lado, Alckmin está reduzido a 6,1% e Marina Silva (Rede), a 4,1%. Nesse mosaico, há ainda os fragmentos de João Amoêdo (Novo), com 2,8%, Alvaro Dias, 1,9%, Henrique Meirelles (MDB), 1,7% e os 1,1% somados de Cabo Daciolo (Patriota), Guilherme Boulos (PSOL) e Vera Lúcia (PSTU).

Terceira via

Uma “união de esforços” entre eleitores de Alckmin, Marina, Amoêdo, Alvaro e Meirelles concentraria 16,6% das intenções de voto. À exceção de Marina, os outros quatro estão em um espectro do centro para a direita, com afinidades entre si, e com visões muito diferentes do confronto entre Bolsonaro e Haddad.

Para mudar a situação e se encaixar mesmo como terceira via, contudo, o quinteto precisaria de uma atitude drástica. Gente precisaria abrir mão da candidatura para criar barulho. Novamente, à exceção de Marina, vaidades e projetos de poder parecem impedir.

Uma terceira via tem demanda, mas daria uma trabalheira danada para sair do papel. O eleitor nem-nem (nem Bolsonaro, nem Haddad) está a ver navios por falta de oferta do mercado eleitoral.

Metodologia

A pesquisa CNT/MDA foi realizada de 12 a 15 de setembro de 2018 com 2.002 entrevistados. Contratada por: Confederacao Nacional do Transporte. Registro no TSE: BR-04362/2018. Margem de erro: 2,2 pontos percentuais. Confiança: 95%.