A abertura da Semana Mundial do Aleitamento Materno, ontem, no auditório da Univel, apontou dados preocupantes em relação à amamentação. Apenas 45% dos bebês com até três meses de vida se alimentam exclusivamente do leite materno. Já entre os grupos que envolvem crianças de quatro a seis meses o índice é ainda menor, de apenas 11%.

Segundo a coordenadora do Programa de Nutrição da Secretaria de Saúde de Cascavel, Jeicylene Brustolin, os números são muito baixos e fazem um “alerta vermelho”, principalmente porque o leite materno evita a desnutrição e é um dos mais importantes combatentes da mortalidade infantil. “O preconizado pela Organização Mundial da Saúde é de que os bebês se alimentem apenas pelo leite materno até os seis meses, porém, infelizmente a realidade está bem aquém disso”, diz a nutricionista.

Na tentativa de fortalecer o binômio mãe-filho, a Secretaria de Saúde orienta as gestantes e puérperas que frequentarem as Unidades Básicas da Saúde e da Família durante todo o mês de agosto a estimular a amamentação pelo período mais longo possível. De acordo com o secretário de Saúde de Cascavel, Rubens Griep, esta é a melhor alternativa tanto para o bebê quanto para a mãe. “Além da relação de troca, vale lembrar que o aleitamento materno é fundamental para a saúde da criança”, comenta.

A enfermeira Silvia Machiavelli, mãe da pequena Valentina, de nove meses, contraria as estatísticas e garante que, mesmo tendo retornado à intensa rotina de trabalho, segue com a amamentação. “Deixo leite para ela em casa mesmo quando estou trabalhando e até que ela queira e eu conseguir, vou amamentá-la, pois o leite materno é a base da vida de uma criança”, afirma.

Mais tempo

Mas não é só com orientação que os índices de aleitamento materno vão subir. Segundo a enfermeira e coordenadora do Banco de Leite do Hospital Universitário do Oeste do Paraná, Anelise Vieczorek, é preciso rever questões legais, como a extensão para seis meses da licença maternidade. Hoje, na maioria dos casos, são concedidos apenas quatro meses de afastamento, período abaixo do preconizado pela OMS referente à amamentação. “Além disso, a legislação trabalhista é muito ruim quando se fala na proteção dessas mulheres”, pontua.

Reforço

No próximo sábado (4) ocorre o 2º Encontro Amamentar Vale Ouro, no Lago Municipal de Cascavel. Lá, serão disponibilizadas aulas de ioga, palestras, apresentações de teatro, música e distribuição de mudas de plantas. Além disso, o evento marca o mês de incentivo ao aleitamento materno por meio da campanha Agosto Dourado.