Sem mais motivos aparentes para adiar o início do já temível novo sistema de transporte coletivo de Cascavel pelos corredores exclusivos nas principais avenidas da cidade, o prefeito Leonaldo Paranhos disse ontem que: “de fevereiro não passa”. “A Avenida Tancredo Neves está praticamente pronta. Após a finalização dela, não haverá mais nada que impeça o início das operações do novo sistema de transporte coletivo”, disse Paranhos.

Segundo ele, que chegou a prometer que adiaria o início quantas vezes precisasse, garante que o THQ (Transporte Humanizado de Qualidade) deve estar rodando até o fim de fevereiro.

“De fevereiro não passa! (…) As campanhas publicitárias de informações à população serão veiculadas já nas primeiras semanas do mês e a Cettrans [Companhia de Engenharia de Transporte e Trânsito] prepara uma apresentação de todas as alterações”.

O presidente da Cettrans, Alsir Pelissaro, diz que foram produzidos três vídeos com as devidas orientações. “O Município desenvolveu essas ações e esperamos sanar as dúvidas de todos. Mas, mesmo assim, a Cettrans estará atendendo todos os questionamentos e as dúvidas, pois são muitas alterações. Todas as linhas terão ao menos uma mudança”, adianta.

Pelissaro afirma que nesta sexta-feira (1º) irá se reunir com o prefeito para acertar os últimos detalhes da operação: “O ValeSim temporal, as novas linhas, a segurança do passageiro e todos os detalhes serão discutidos para conseguirmos o quanto antes rodar o sistema, que será o maior conjunto de mudanças no transporte público de Cascavel em mais de 20 anos”.

Sindicato dos Motoristas está “indignado”

O vereador Paulo Porto (PCdoB) se reúne hoje à tarde com representantes do Sindicato dos Motoristas do Transporte Público de Cascavel para discutir o pedido de reajuste das passagens feito pela Pioneira e pela Viação Capital do Oeste. Conforme o prefeito Leonaldo Paranhos, o índice solicitado é de 14%, o que elevaria a tarifa para R$ 4,15, a mais alta do Estado.

“O sindicato me procurou porque estão indignados com o aumento solicitado pelas empresas de mais de 14%. As operadoras alegam que, com a revogação do subsídio sobre o ICMS do diesel no fim do ano, precisam desse aumento para fechar as contas. O que não entendemos é por que em Cascavel, na época do início desse subsídio, a tarifa não baixou. Nós ainda estamos sem cobradores nos ônibus, outro motivo para a passagem ter caído de valor, e não subir”, critica Paulo Porto.

O objetivo da reunião é elaborar argumentos com dados que o Sindicato dos Motoristas recolheu que formam o preço da passagem do transporte público. “Contra o aumento todo o mundo é… Então precisamos construir uma defesa sólida e vamos munir o prefeito com o máximo de informações possível para ele ir à luta e não deixar o nosso passageiro pagar esse absurdo”, adianta o vereador.

O presidente do Sindicato dos Motoristas, Nelson Borda, revela que vários detalhes serão discutidos: “Será um momento para apresentação de números e informações sobre o transporte, para ver se conseguimos, juntos, estabelecer uma forma para que todos sejam beneficiados, tanto nós, na questão salarial, quanto os passageiros”, explica.

A partir da reunião o grupo pretende agendar uma conversa com o prefeito Paranhos para apresentar os dados. “Já passou da hora de abrirmos uma CPI [Comissão Parlamentar de Inquérito] para investigar o transporte público para termos acesso a tudo o que acontece na cidade. São muitas coisas que precisam ser revistas e precisamos fazer isso o quanto antes, a começar pelo preço da passagem”, argumenta Porto.

Os tachões da discórdia e outros estrangulamentos

O que não faltam são críticas ao novo sistema de transporte coletivo de Cascavel, desde as faixas exclusivas nas avenidas até os 10 mil tachões, que, para muitos, é “dinheiro jogado fora”. E não é pouco, são R$ 700 mil “investidos” nessas pecinhas.

Um dos críticos que têm se manifestado publicamente sobre o assunto é o ex-secretário de Meio Ambiente do Governo Paranhos e advogado Juarez Berté. Ele diz que “não entende certas coisas”, e cita os tachões. “Não entendo a necessidade desse gasto. Cidades como São Paulo usam câmeras de segurança para multar quem trafega no corredor. O tachão é um impedimento ao tráfego de outros veículos, como táxis com passageiros, ambulâncias e a própria polícia, que possuem o direito de circular pela faixa dos ônibus”, observa.

Para Berté, os tachões são um claro retrocesso. Ele também alerta para o “aperto” nas avenidas, já que, em vez de terem aberto uma nova faixa para os ônibus, aproveitaram uma que já existia e esgoelaram ainda mais o trânsito da área central. “Vai gerar um congestionando sem fim… duas pistas é pouco para a quantidade de veículos que circulam naquela região”, alerta.

Isso sem contar que nem sempre as duas pistas estão disponíveis para os demais veículos. Um exemplo são os carros-fortes que param na frente dos bandos em fila dupla em horário de expediente. “O Município vai ter que pensar em soluções para isso. Como destinar vagas específicas para o carro-forte ou um horário mais adequado para o serviço bancário ocorrer. Veja bem: uma pista vai ser o corredor dos ônibus, a outra vai ter o carro-forte parado em fila dupla. Os demais veículos vão disputar uma pista de rolamento? Isso vai gerar o caos”.

Berté antecipa ainda a “curta vida” dos tachões, pois só vão agravar os problemas. “Desde quando eu estava na prefeitura sempre defendi outras formas para se fazer isso… Agora vamos ver no que vai dar, pois a única opção é colocar o transporte para funcionar e acompanhar o que vai acontecer ao longo do tempo”.