Greca e Guto Silva disputam espaço no PSD e a indicação do Governador - Foto: Luiz F. Max/SOT
Greca e Guto Silva disputam espaço no PSD e a indicação do Governador - Foto: Luiz F. Max/SOT

Cascavel e Paraná - Reconhecido como um dos maiores eventos do agronegócio da América Latina, o Show Rural Coopavel, em sua 38ª edição, mais uma vez trouxe à Cascavel discussões sobre decisões políticas do Paraná. Oficialmente, a feira é vitrine de inovação, tecnologia e negócios para o campo. Extraoficialmente, virou o principal palco de articulações da sucessão estadual de 2026.

Foto: Luiz F. Max/SOT

Com o governador Ratinho Junior (PSD) encerrando seu segundo mandato e ensaiando uma candidatura à Presidência da República, o foco se volta inevitavelmente para quem herdará o comando do Palácio Iguaçu. E se a decisão formal pode ficar para abril, como sinalizou o próprio governador, a disputa interna já ferve nos bastidores.

O PSD está dividido, mas ainda sob controle. A sigla tem hoje três nomes colocados: Alexandre Curi, presidente da Assembleia Legislativa; Guto Silva, secretário das Cidades, e Rafael Greca, ex-prefeito de Curitiba e atual secretário de Desenvolvimento Sustentável.

Entre eles, a briga mais explícita ocorre entre Guto Silva e Alexandre Curi, ambos disputando a preferência direta de Ratinho Junior. Greca, por sua vez, atua em outra frequência: a da convicção de que, se o partido quiser vencer, precisará apostar “no melhor nome”.

Rafael Greca

Durante conversa com a reportagem do O Paraná no Show Rural, Greca afirmou liderar pesquisas internas, o que daria a ele margem de preferência aos demais. “Por enquanto eu tô na frente. Não posso contar o número porque são pesquisas internas, mas são com mais de mil entrevistas. Então tem boa segurança”, disse.

Ele ainda deixou um recado claro ao partido caso não seja o escolhido. “Isso só vai acontecer se houver no partido uma tendência suicida. Um partido político não pode ser suicida. Sempre o melhor nome é que tem que ser o candidato. Se eu não for o melhor nome, nem eu quero ser candidato. Eu não sou burro.”

Guto Silva

Se Greca aposta na biografia, Guto Silva aposta na gestão e na lealdade ao projeto Ratinho. Em entrevista ao O Paraná, Guto foi categórico ao descartar qualquer plano B. “Não estou considerando nenhuma possibilidade de ser vice, de ser senador. Estou focado num plano de governo de suceder o governador Ratinho Junior”, afirmou de forma categórica.

Ele ainda destacou a experiência dentro do próprio governo do Paraná e alinhamento com o governador Ratinho Junior. “Se fosse um time de futebol, eu já fui zagueiro, meio-campo e atacante. Conheço o Estado com profundidade; me sinto pronto para fazer uma transição estável, segura, sem ruído”, competou

Guto também deixou claro que pretende se desincompatibilizar em abril e iniciar uma pré-campanha mais agressiva. “Abril estamos desenhando. Abril tem que descompatibilizar. Eu estou pronto, preparado.”

O presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Alexandre Curi não visitou a feira em Cascavel. Segundo informado, ele está em viagem internacional.

Em abril

Embora Ratinho Junior tenha sinalizado que o anúncio “muito provavelmente” ocorrerá em abril, palacianos ouvidos reservadamente acendem o sinal amarelo. Postergar a decisão para depois da janela partidária pode significar perder o controle do jogo. Também é voz corrente que Rafael Greca e Alexandre Curi podem deixar o PSD no fim de março, caso percebam que o tempo está sendo usado mais para adiar do que para decidir.

O presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi, não visitou a feira em Cascavel. Segundo informado, ele está em viagem internacional.

Sérgio Moro segue isolado

Se no PSD a disputa é interna, na “oposição” o cenário é de isolamento. O senador Sérgio Moro, hoje no União Brasil, partido federado com o PP, enfrenta resistência aberta do clã Barros, que comanda os Progressistas no Paraná. Em conversa com O Paraná, Ricardo Barros declarou que se depender dele, Moro não terá apoio. “A executiva decidiu que não apoiará o Sérgio Moro. Não há nenhum constrangimento nosso em não dar legenda a ele.”

Segundo Barros, Moro não fez o dever básico. “Nesses oito meses, o senador não se dedicou a conquistar o apoio do Progressistas. Uma coisa é conversar, outra coisa é converter.”

Greca no radar do PP

Com Moro pressionado, o PP já admite publicamente outra hipótese: filiar Rafael Greca. “Se ele [Moro] sair do partido, nós decidiremos se filiamos o Rafael Greca para ser o nosso candidato ao governo”, afirmou Ricardo Barros.

Greca, aliás, confirmou que as conversas existem. “Houve conversa, claro. Estávamos juntos em Roma com Ricardo e Cida”.