Descubra as inovações da soja no Show Rural Coopavel 2026 e veja a diversidade genética apresentada pela Embrapa Soja - Foto: Embrapa
Descubra as inovações da soja no Show Rural Coopavel 2026 e veja a diversidade genética apresentada pela Embrapa Soja - Foto: Embrapa

Cascavel e Paraná - Durante o Show Rural Coopavel 2026, a Embrapa Soja convida o visitante a ir além do padrão comercial que domina as lavouras. Na Vitrine de Tecnologias, pesquisadores apresentam materiais pouco conhecidos — e quase nunca vistos fora do ambiente científico — selecionados entre cerca de 65 mil acessos do Banco Ativo de Germoplasma (BAG) da instituição, uma das três maiores coleções de soja do mundo.

A proposta é simples e, ao mesmo tempo, ousada: mostrar como a variabilidade genética da soja se traduz em formas, tamanhos e arquiteturas que fogem do imaginário do produtor. “O BAG fica restrito às instituições de pesquisa e a comunidade em geral não tem acesso a isso. Pela primeira vez, estamos mostrando visualmente essa riqueza”, explica Marcelo Fernandes de Oliveira, pesquisador da Embrapa Soja, fonte central da iniciativa.

Entre os destaques da vitrine está a soja semi-determinada, considerada a primeira comprovadamente caracterizada desse tipo. Ela ocupa um espaço intermediário entre os dois padrões mais conhecidos da cultura. “A soja determinada floresce praticamente de uma vez só e para de crescer. Já a indeterminada continua florescendo por até 25 dias e pode dobrar de tamanho — hoje, ela representa mais de 90% das cultivares comerciais”, detalha Fernandes.

A semi-determinada segue outro caminho. Cresce apenas de 30% a 40% após o florescimento, apresenta entrenós mais curtos, maior número de vagens por nó e um formato peculiar no topo da planta, conhecido como ‘cachopa’, semelhante a um guarda-chuva. Estudos iniciais, segundo o pesquisador, indicam que essa arquitetura pode estar associada a ganhos de produtividade, embora ainda sejam necessários avanços no pré-melhoramento e na validação agronômica em escala comercial.

A vitrine também reúne materiais com flores, folhas e vagens fora do padrão tradicional. Há plantas sem pubescência, anãs e com folhas onduladas, entre outras curiosidades. “A ideia não é dizer que todas essas características são melhores ou piores, mas mostrar que elas existem”, ressalta Fernandes. Algumas delas, inclusive, já apontam usos específicos. A soja sem pelos, por exemplo, é altamente indicada para consumo humano, como o edamame, embora apresente maior suscetibilidade ao ataque de percevejos.

Esse equilíbrio entre vantagens e limitações reforça o papel da ciência como curadora do futuro da cultura, conectando características genéticas a nichos de mercado e demandas específicas.

Proteção para o amanhã

Por trás das formas inusitadas, está um ativo estratégico: a segurança genética da soja. Segundo a Embrapa Soja, a maior variabilidade da cultura está concentrada no seu centro de origem, a China, e em centros secundários como Japão e Coreia. “Muitas características que se perderam ao longo do tempo ainda estão preservadas nesses bancos”, explica o pesquisador.

Essa diversidade é o que garante respostas aos desafios que ainda nem existem. “Se surgir uma condição ambiental extrema, seja biótica ou abiótica, alguma dessas plantas pode ter a característica necessária para sobreviver — seja tolerância à seca, eficiência fotossintética, arquitetura da planta ou resistência a pragas e doenças”, afirma Fernandes.

Ao levar esse patrimônio genético para o Show Rural Coopavel, a Embrapa Soja transforma ciência em experiência visual e reforça uma mensagem clara: o futuro da soja passa, inevitavelmente, pela diversidade que hoje está guardada — e agora, finalmente, revelada.