Eles já foram muito disputados e considerados minipolos de vendas. Com produtos dos mais diversos estilos, formas e preços, eram chamados de “paraguaizinho” e “camelôs” especialmente porque boa parte dos produtos era made in Paraguay. Hoje, os centros de compra estão organizados, bem localizados, limpinhos e em nada lembram a balbúrdia dos áureos tempos de Cidade do Leste. Nada mesmo. Inclusive, o movimento.

A diminuição no número de pessoas que vai às compras é observada desde o ano passado e quem depende das vendas passa por dificuldades. “A situação está horrível! As pessoas não vêm nem olhar, porque estão sem dinheiro para comprar. Em relação ao mesmo período do ano passado, acredito que a queda nas vendas já chegue a 70%”, conta Solange Giuriatti, proprietária de uma loja há dez anos na Rua Carlos Gomes, Centro de Cascavel.

Hoje Solange opta por brinquedos, itens domésticos e diferentes modelos de rádio adquiridos de atacados brasileiros. “Vou ao Paraguai apenas uma vez por mês. Prefiro comprar aqui e tenho nota de todos os produtos”, assegura.

Com as prateleiras cheias, Solange confessa que não tem como repor estoque para o Natal: “Vamos rezar para aumentar o movimento e tentar vender o que tem aqui”.

Na loja ao lado fica a vendedora Marizete Canova. Os produtos expostos são diferentes, mas as dificuldades são as mesmas. As prateleiras estão lotadas de bebidas e perfumes que ela trouxe do Paraguai. Otimista, ela se prepara para nova incursão do lado de lá da ponte, para aproveitar o recuo do câmbio. “O dólar estava muito alto, então agora que começou a baixar é o momento certo para compras”, explica.

A expectativa dela é de que nos próximos meses a situação melhore para os trabalhadores. “Acredito que depois das eleições as coisas comecem a mudar e que as vendas aumentem também por conta do Natal”, afirma Marizete.

Cautela

O presidente da Associação dos Vendedores Ambulantes, Cleiton Mendes, diz que as dificuldades não se limitam aos camelôs: “Acredito que o comércio de uma maneira geral sofreu uma diminuição nas vendas, já que os consumidores estão com um pouco de receio do futuro e poupam dinheiro”.

Apesar disso, ele afirma que os camelôs precisam se manter otimistas para atrair os consumidores: “Não adianta ficar com a loja aberta sem produtos. É fundamental trazer novidades para agradar os clientes”.