Turma de Psicologia da Unipar utiliza técnica de Mindfulness

Prática foi proposta nas aulas de Saúde Mental e Contemporaneidade e funciona como estratégia para diminuir níveis de ansiedade.

Em meio ao distanciamento social, mudanças e adaptações, corpo e mente requerem cuidados. A Universidade Paranaense – Unipar também tem se reinventado e segue esperançosa. As aulas seguem com comprometimento e qualidade, on-line, ao vivo, diariamente. Nos últimos dias, a turma do 4º ano do curso de Psicologia teve uma atividade diferente, proposta pelo professor Caio Vinicius Martins, que aplicou a técnica de Mindfulness com os alunos.

Nova, porém bastante utilizada e pesquisada no campo da saúde mental, da psiquiatria e da neurociência, a técnica americana, entendida como atenção plena, tem sido indicada para a redução do estresse e da ansiedade. “Especialmente nesse momento de isolamento físico, vejo como oportuno realizar essa técnica; precisamos de estratégias e ferramentas para cuidar da própria saúde mental”, justifica.

Estudioso da técnica e praticante pessoal e profissionalmente, o professor conta que começou a aplicar a técnica em sala de aula no ano passado, na disciplina Saúde Mental e Contemporaneidade, e teve bom resultado. Ele escolheu a turma devido à maior carga de trabalho nesse período, ano de TCC e de práticas de estágio, o que pode aumentar os níveis de ansiedade e sofrimento.

“Utilizo alguns minutos da aula para desenvolver a técnica com eles, pois o profissional da saúde, por vezes, se esquece de cuidar de si, negligencia a própria saúde. Esse padrão de comportamento chamamos na Psicologia Analítica Junguiana de arquétipo do curador ferido”, explica.

Com origem no budismo, na meditação, porém sem aparato religioso, a técnica tem como base o exercício do foco em um ponto, pode ser a respiração, os sentidos, as sensações do corpo ou sons ao redor. “A ideia é concentrar a atenção em pontos específicos e deixar aquilo preencher”, explica Martins.

O docente frisa, ainda, que na cultura ocidental há uma fantasia errada de que meditar é não pensar em nada. E questiona: “O que é o nada?”.

Segundo afirma, a meditação tem um foco; no campo religioso pode ser um sentimento, como compaixão, ou um mantra, que também vai evocar sentimentos, ideias e conceitos. “Mindfulness faz esse trabalho de você sair do nível de conceito que nossa mente transita. Isso gera ansiedade e o trabalho desse exercício é parar esse movimento e talvez conseguir olhar com mais clareza”, destaca.

O docente ressalta a importância de instrumentalizar para esse momento delicado, de angústia, concomitante a isso oferecer possibilidades para os alunos e, também, para uso com seus pacientes. “A proposta é instrumentar o aluno para lidar primeiramente com seus conflitos, sintomas e ansiedades, para depois cuidar do outro. Os profissionais de saúde têm a tendência a acreditar que precisam ser a fortaleza, a segurança do outro, e acabam caindo na armadilha de que são essa fortaleza”, analisa.

O professor relata, ainda, que há muitos estudos sendo publicados em relação ao Mindfulness. No Brasil não está tão difundido na área acadêmica, mas na América do Norte e em países da Europa já há uma grande procura e compreensão dos benefícios.

“Estamos vivenciando um momento oportuno para pesquisar e pôr em prática. Tem muitos aplicativos de Mindfulness, como o Lojong, que eu tenho recomendado para meus clientes, e outros que são propícios para entrar em contato com essa ferramenta e ajudar a trabalhar a saúde mental”, indica.

Sobre sua experiência, Martins conta que pratica meditação há 17 anos. “Quando comecei a trabalhar no Caps AD [Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas], era estagiário de Psicologia, comecei a fazer uso de algumas técnicas com pacientes que chegavam ansiosos ou pelo uso de substância ou pela abstinência. Na época, usei técnicas de respiração mais complexas, como o Tai Chi Chuan, e chamei de práticas contemplativas. Isso há dez anos, ainda não havia se difundido o Mindfulness, contudo, hoje já existe uma série de estudos científicos voltados para essa área”, recorda.


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