Nesta sexta-feira (31) será realizada a 96ª Corrida Internacional de São Silvestre. Cerca de 20 mil atletas se inscreveram para percorrer os 15 quilômetros de prova.  Os primeiros a largar na Avenida Paulista serão os cadeirantes, às 7h25 (horário de Brasília). Às 7h40, inicia a prova da Elite feminina. Os pelotões da Elite masculina e geral começam a enfrentar o percurso da mais tradicional corrida de pedestrianismo do país a partir das 8h05.

A atleta Cleuza Pereira, de 58 anos, é uma das cascavelenses que está em São Paulo para participar da corrida. Ela tem no currículo participação em provas importantes, como a Maratona Internacional do Rio de Janeiro, e também a Meia Maratona da Univel.

A reportagem do O Paraná conversou com a atleta, que pretende completar a prova vencendo todos os obstáculos. “Minha expectativa é vencer a corrida concluindo o trajeto com qualidade superando os desafios, e também motivando outros atletas mostrando que a idade não significa nada para quem tem vontade”, disse.

A prova é disputada desde 1925 e passou a receber atletas do exterior em 1945. Em 2020, pela primeira vez na história, a São Silvestre não foi realizada, devido à pandemia. Para ser realizada em 2021, a organização estabeleceu um protocolo sanitário no qual os competidores têm de estar vacinados e utilizarem máscaras, obrigatoriamente, nos momentos de largada e chegada e também na área de concentração.

 

Jejum

O Brasil vive um longo jejum nos pelotões de elite. A última vitória de um atleta do país foi em 2010, quando Marilson dos Santos conquistou o tricampeonato. De lá para cá, os quenianos Edwin Rotich (duas vezes), Stanley Biwott e Kibiwot Kandie e os etíopes Dawit Admasu (duas vezes, sendo a segunda representando o Bahrein), Tariku Bekele, Leul Aleme e Belahy Bezabh levaram a melhor na disputa masculina.

 

Apostas

A principal aposta para encerrar a supremacia africana masculina nas ruas de São Paulo é Daniel Ferreira do Nascimento. O jovem de 23 anos foi o brasileiro mais bem colocado na última edição, em 2019, na sétima posição. A evolução desde então é significativa, tanto que Danielzinho – como ele é conhecido – se classificou para a Olimpíada de Tóquio (Japão) e atingiu, em dezembro, na cidade espanhola de Valencia, o segundo melhor tempo de um atleta do país na maratona.

“Estou em ótima forma, ótimo momento, trabalhando bastante a parte psicológica. Quero fazer a minha prova, sem olhar para os adversários. Na última São Silvestre, eu tinha voltado ao esporte havia seis meses. Não esperava ser o melhor brasileiro. Tive a oportunidade de evoluir e tempo para ajustar algumas coisas”, afirmou Daniel, em entrevista coletiva nesta quinta-feira (30).

No feminino, Andreia Hessel (ganhadora da Maratona Internacional de São Paulo em 2018), Tatiele de Carvalho (pentacampeã do Troféu Brasil de Atletismo nos 10 mil metros) e Grazielle Zarri (melhor brasileira da última São Silvestre, na 11ª colocação) são as principais candidatas a frear o domínio africano. Nas últimas semanas, Grazielle estabeleceu as melhores marcas da vida em provas de dez quilômetros e de meia-maratona (21 quilômetros).

 

Copos serão reciclados

Pela segunda edição consecutiva, a São Silvestre terá uma ação para reciclagem de copos plásticos. O projeto do Movimento Plástico Transforma, em parceria com a organização da prova, prevê o recolhimento e o envio dos copos distribuídos aos corredores a uma transformadora, para virarem dez mil caixas organizadoras, que serão doadas a entidades públicas de São Paulo. Em 2019, a iniciativa resultou em 900 lixeiras, entregues a escolas do interior paulista.