Cascavel – Mesmo com todas as campanhas de orientação sobre as DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis), os casos de sífilis adquirida em adultos cresceram mais de 300 vezes em apenas seis anos.

Os dados são da 10ª Regional de Saúde e se referem às pessoas atendidas diariamente pelo Cedip (Centro Especializado de Doenças Infecto Parasitárias). Segundo os números, em 2010 a incidência da doença em adultos era de 0,4 a cada 100 mil habitantes. No ano seguinte, saltou para 15 e em 2012 para 36. Conforme o relatório, solicitado por O Paraná, no ano passado quase 400 pessoas foram atendidas com a doença, incidência de 121 para cada 100 mil habitantes.

De acordo com a coordenadora geral do Cedip, a enfermeira Josana Aparecida Dranka, os números demonstram que as pessoas deixam de lado as informações e orientações disponíveis em 30 anos de epidemia de Aids e muitas décadas antes sobre as DSTs no Brasil. “O preservativo é o método mais eficaz de prevenção contra as doenças sexualmente transmissíveis. Além disso, é importante o diagnóstico precoce e o tratamento, que são disponibilizados gratuitamente na rede pública de saúde, justamente para minimizar esses dados”.

Segundo ela, algumas doenças não são de notificação obrigatória, o que não traz um dado real. “Os dados têm preocupado muito a saúde pública justamente pelo aumento crescente e contínuo de casos”.

Além dos registros de casos transmitidos entre parceiros sexuais, a sífilis é passada ainda de mãe para filho, a chamada sífilis congênita. De acordo com Josana, recentemente a Secretaria de Saúde e a 10ª Regional realizaram várias reuniões com profissionais de saúde para melhorar o diagnóstico precoce e o tratamento.

No caso de sífilis em gestantes, a cada mil nascidos vivos, os números aumentaram sete vezes no mesmo período. “Em 2010 tínhamos o registro de dois casos, no ano passado foram 14. Observamos uma melhora no diagnóstico precoce em mulheres grávidas e acredito que isso tenha ligação com os vários treinamentos aos profissionais da atenção primária em saúde”.

Homens precisam se tratar

Além da mulher, os parceiros sexuais das gestantes também precisam fazer o tratamento da doença, algo que preocupa e muito a saúde pública. “Apenas 50% dos homens fizeram os testes e depois o tratamento. Isso reflete diretamente na recontaminação pela gestante e consequentemente ao bebê”. Conforme a coordenadora, dentre as principais consequências da doença está a possibilidade de aborto durante a gestação.

Na área de abrangência da 10ª Regional, no ano passado a incidência de sífilis congênita foi de 3,3 casos para cada mil nascidos vivos. O preconizado pelo Ministério da Saúde é abaixo de 0,5. “Por isso a importância do acompanhamento do pré-natal, dos pais fazerem todos os exames, e principalmente se cuidarem”.

O que é?

A sífilis é uma doença sexualmente transmissível causada pela bactéria Treponema pallidum. A sífilis é um mal silencioso e requer cuidados. Após a infecção inicial, a bactéria pode permanecer no corpo da pessoa por décadas para só depois manifestar-se novamente. Ela é geralmente transmitida via contato sexual e entra no corpo por pequenos cortes presentes na pele, ou por membranas mucosas.