Xangai – Os brasileiros Fernando Scheffer, Luiz Altamir, Leonardo Santos e Breno Correia, sem esquecer de Leonardo de Deus, entraram para a história do esporte brasileiro, ontem, no Mundial de Natação em piscina curta, em Hangzhou, na China. A equipe masculina, que formou o revezamento 4x200m livre não só garantiu a primeira medalha de ouro para o Brasil na história da competição, como estabeleceu o novo recorde mundial da prova: 6m46s81 – mais de dois segundos abaixo do antigo recorde (6m49s04). Esta é a primeira medalha de ouro da seleção brasileira na competição.

O Brasil se classificou para a final apenas com o sexto tempo. O quarteto inicial, formado por Fernando Scheffer, Luiz Altamir, Leonardo de Deus e Breno Correia, garantiu a raia sete para a seleção no período da noite, no horário chinês. Para a final, Leonardo Santos entrou na vaga de Leonardo de Deus.

“Esse título e recorde mundial coloca a gente em evidência, mostrando que a nova geração está chegando. Chegamos para ficar. Estou muito feliz de estar com esses caras aqui. São a nova cara da natação brasileira. Não estamos aqui à toa”, disse Leonardo Santos.

“Faz tempo que chegamos e esse título comprova isso. Colocamos nosso nome no papel e não vamos parar por aqui. Nossa meta é chegar em Tóquio para consolidar nosso nome entre os melhores do mundo”, explicou Fernando Scheffer.

A prova dos brasileiros

O quarteto brasileiro deu liga no Mundial. Luiz Altamir iniciou seus 200m e terminou segundo lugar. Fernando Scheffer caiu na água e colocou o Brasil em primeiro lugar, sempre abaixo do recorde mundial da prova. Leonardo Santos manteve o ritmo forte da seleção brasileira, que perdeu posições para Rússia e China. Breno Correia, porém, tratou de colocar o Brasil no topo do pódio com o tempo de 6m46s81.

“Essa medalha mostra a dedicação de cada um aqui. Nós acordamos cedo, passamos por dificuldades, temos nossa vida em universidades também, suamos, choramos, somos seres humanos como qualquer pessoa e chegar aqui e conseguir levar o nome do Brasil ao topo do pódio é algo inexplicável”, contou Luiz Altamir.

“Firmamos-nos no cenário mundial. Todos viram o que a gente pode fazer. Estamos entre os melhores. Agora, um passo de cada vez, vamos em busca do Mundial do ano que vem, depois Jogos Olímpicos, que é o nosso objetivo principal”, finalizou Breno Correia.

Individuais

Nas disputas individuais, ontem, Guilherme Guido chegou à final dos 50m costas como um dos principais nomes da prova, mas terminou em quinto (22s79) após disputa muito forte contra Evgeny Rylov (ouro 22s58), Ryan Murphy (prata 22s63) e Shane Ryan (22s76). Já Cesar Cielo chegou à final de sua prova favorita (50m livre) como tempo de 21s06, mas na disputa por medalha nadou para 21s20 e ficou na sétima colocação. O campeão foi o russo Vladimir Morozov (20s33), o segundo foi o americano Caleb Dressel (20s54) e o terceiro foi o sul-africano Bradley Tandy (20s94). Já o estreante Caio Pumputis foi oitavo nos 100m medley (52s28), depois de ter terminado em 5º lugar nos 200m medley. Já o recordista mundial dos 50m borboleta, Nicholas Santos, está em mais uma final de Campeonato Mundial na carreira. Ele, de 38 anos, garantiu um lugar na disputa decisiva com o tempo de 21s96. A prova será disputada na manhã deste sábado (de Brasília). Também recordista mundial, mas nos 50m costas, Etiene Medeiros está fora da briga pelo tricampeonato mundial em piscina curta. Ela cometeu um erro na saída da prova e terminou a disputa com o 15º tempo na competição (26s91).