Partos prematuros no Brasil estão acima da média mundial

Para chamar a atenção para essa gravidade na saúde, a data de 17 de novembro é lembrada como Dia Mundial da Prematuridade.

Consegue imaginar um bebê pesando menos de 750 gramas? Infelizmente, essa é a realidade de muitas mamães que têm a gravidez interrompida por volta da 26ª semana de gestação.

E não é só esse grupo que sofre com a prematuridade. Algumas crianças nascem com um pouco mais de peso, porém, se o nascimento acontecer antes da 37ª semana de gestação, elas também são consideradas prematuras. E como reverter esse quadro que tanto assusta milhares de brasileiros? São 340 mil nascimentos de prematuros no Brasil todos os anos, 11,5% do total de nascidos. O percentual está acima da média mundial de 10%, segundo a Pesquisa Nascer no Brasil – Fiocruz 2016.

Para chamar a atenção para essa gravidade na saúde, a data de 17 de novembro é lembrada como Dia Mundial da Prematuridade. “Novembro é considerado o mês internacional de sensibilização para a prematuridade e o objetivo é alertar sobre o crescente número de partos prematuros e como preveni-los, além de informar sobre as consequências do nascimento antecipado para o bebê, para a família a e sociedade”, diz Denise Leão Suguitani, fundadora e diretora executiva da Associação Brasileira da Pais, Familiares, Amigos e Cuidadores de Bebês Prematuros – ONG Prematuridade.com. A entidade é pioneira a se dedicar à causa dos bebês prematuros em âmbito nacional.

Denise explica que a ONG Prematuridade.com colaborou com a elaboração do Projeto de Lei 10.739/2018, que estabelece o Dia da Prematuridade (17/11) no País, mais ainda está em tramitação. Mesmo assim, ela afirma que a entidade segue trabalhando para chamar a atenção dos governantes e de formadores de opinião sobre a importância do tema, “refletindo sobre a qualidade do atendimento oferecido aos nossos prematuros e às suas famílias e clamando por políticas públicas de prevenção e tratamentos modernos, adequados e mais humanos”.

Idade cronológica X Idade corrigida

Impossível falar em crescimento e desenvolvimento do prematuro sem falar nos termos “idade cronológica” e “idade corrigida”. Mas, afinal, o que elas significam?

A “idade cronológica” é a idade real que o bebê tem, o tempo de vida dele depois do nascimento. Por exemplo: um bebê que nasceu dia 10 de abril terá três meses de idade cronológica no dia 10 de julho.

Já a “idade corrigida” é a idade ajustada ao grau de prematuridade. É a idade que o bebê teria se tivesse nascido de 40 semanas.

Como faço essa conta? Se tomarmos como exemplo um bebê que nasceu há dois meses (o equivalente a mais ou menos 8 semanas) com 29 semanas de gestação, dizemos que sua idade corrigida atual é 37 semanas. Como? Somamos sua idade gestacional em semanas (29 semanas) ao tempo (também em semanas) transcorrido após seu nascimento (8 semanas), e teremos o resultado: 37. É como se hoje ele tivesse 37 semanas de gestação. Teoricamente, nem deveria ter nascido ainda.

A idade corrigida desse bebê será sempre 2 meses (8 semanas) menos do que sua idade cronológica: quando ele tiver 4 meses de idade cronológica, terá 2 meses de idade corrigida.

Por que utilizar a idade corrigida?

Não dá para exigir que um bebê prematuro sente, engatinhe, fale ou ande no mesmo período em que um bebê a termo. Não podemos esquecer que os prematuros são “mais novos” do que o que sua idade real mostra. Até porque cada criança é única e tem seu tempo para realizar cada um desses marcos do desenvolvimento infantil.

Também devemos levar em consideração que, quando o prematuro nasce, ele é submetido a várias situações adversas ainda na UTI, o que influenciará também o seu padrão de crescimento.

Sendo assim, utilizamos a “idade corrigida” para avaliar de forma mais adequada o desenvolvimento físico, intelectual e comportamental do prematuro, que poderá ser diferente do padrão típico de um bebê que nasceu de 40 semanas.

Essa diferença no desenvolvimento tende a desaparecer durante os três primeiros anos de vida. Porém, alguns bebês podem apresentar atrasos no longo prazo. O importante é manter acompanhamento periódico com o pediatra, para que ele possa investigar qualquer sinal de alerta e encaminhar o bebê para atendimento especializado.

Até quando se utiliza a idade corrigida?

A maioria dos autores recomenda utilizar a idade corrigida na avaliação do prematuro até aproximadamente dois anos de idade para que se tenha uma expectativa realista, sem subestimá-lo frente aos padrões de referência. Para os prematuros de extremo baixo peso (nascidos com menos de 1kg) e com menos de 28 semanas, recomenda-se corrigir a idade até os três anos.

* O perímetro cefálico deve ser corrigido até os 18 meses de vida do prematuro;

* O peso até os 24 meses e

* O comprimento/altura até os 3 anos e 6 meses.

Atenção papais e mamães

Nos primeiros anos, seu prematurinho pode ficar abaixo dos padrões de normalidade nos gráficos de crescimento (peso, comprimento, perímetro cefálico) da caderneta de vacinação e de outras curvas de crescimento, mesmo utilizando-se a idade corrigida. Nada de pânico!

Quando o prematuro nasce, ele é submetido a várias situações adversas no mundo externo e, portanto, seu padrão de crescimento tende a ser diferente do esperado enquanto ele estava no útero. Isso pode acontecer principalmente com bebês que apresentaram restrição de crescimento intrauterino.

Como fica a contagem da gravidez em meses

1 mês = 5 semanas

2 meses = 9 semanas

3 meses = 14 semanas

4 meses = 18 semanas

5 meses = 22 semanas

6 meses = 27 semanas

7 meses = 31 semanas

8 meses = 36 semanas

9 meses = 40 semanas

 

*Lembrando que essa tabela é apenas um guia; a mesma contagem pode variar de uma fonte para outra (a fonte é o site americano Baby2See).

Sobre a ONG Prematuridade.com

A Associação Brasileira de Pais, Familiares, Amigos e Cuidadores de Bebês Prematuros – ONG Prematuridade.com é a primeira organização sem fins lucrativos dedicada à prevenção do parto prematuro, à educação continuada para profissionais de saúde e à defesa de políticas públicas voltadas aos interesses das famílias de bebês prematuros, atuando em âmbito nacional. A ONG foi fundada por Denise Leão Suguitani, nutricionista, mãe de 2 filhos, quando ela trabalhava em uma UTI Neonatal de Porto Alegre. Em sua vivência diária, percebeu que os pais tinham dificuldades de encontrar conteúdo confiável sobre bebês prematuros na internet. Assim, surgiu o blog Prematuridade.com, que rapidamente se tornou um portal. Em novembro de 2014, Denise fundou a Associação Brasileira de Pais, Familiares, Amigos e Cuidadores de Bebês Prematuros – ONG Prematuridade.com, entidade pioneira que se dedica à causa dos bebês prematuros em âmbito nacional. Hoje são 3 mil famílias cadastradas, 40 voluntários e 18 estados brasileiros com presença da ONG.



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