Curitiba – O diretor-presidente do Simepar, Eduardo Alvim, afirmou nessa terça-feira (29) que o órgão de meteorologia do Paraná vai agregar tecnologia à ação de monitoramento e proteção das barragens do Estado. Segundo ele, o instituto está muito ligado ao sistema de Defesa Civil do Estado e, por isso, o trabalho terá muito foco em gestão de risco.

A declaração foi dada durante entrevista concedida com o secretário interino do Desenvolvimento Sustentável e Turismo, Everton Luiz da Costa Souza, que reforçou que no Paraná a maioria das barragens existentes é de baixo risco.

Um dos problemas já apontados é a identificação das estruturas. Isso porque o último relatório do Instituto das Águas, de 2017, apontou 394 barragens, mas o secretário Everton disse que a estimativa é de que existam mais de 500 estruturas de captação de água, sendo que 60 já foram avaliadas para identificar o grau de risco, e que não existe risco iminente à população, mas barragens consideradas de alto risco estão recebendo uma atenção maior.

Já a ANA (Agência Nacional das Águas), em resposta a uma solicitação da reportagem do Jornal O Paraná, informou que a estimativa é de que para cada barragem legalizada existam outras três em atividade. Se esses dados se confirmarem, pode haver mais de 1,2 mil barragens no Estado, sem que saibam exatamente onde e como funcionam. O grande desafio do governo é justamente “varrer” o Estado e mapear todas elas.

Parceria

Para fortalecer as ações de prevenção de desastres, a Secretaria de Desenvolvimento Sustentável firmará contrato de gestão com o Simepar para a realização de um levantamento de todas as barragens existentes, principalmente das que não possuem registro nas agências de água e mineração no Estado.

No Paraná, a maioria das barragens é para uso de irrigação, abastecimento de água, geração de energia, proteção de meio ambiente e recreação.

Segundo a ANM (Agência Nacional de Mineração) existem no Estado três barreiras de rejeito, semelhante à barragem que se rompeu em Brumadinho (MG). “As barragens precisam de um controle maior e é essa ação que o Estado vai tomar para poder estabelecer esse controle”, ressaltou Everton.

Como vai funcionar

O diretor-presidente do Simepar, Eduardo Alvim, explicou que o trabalho que intensificará a fiscalização e o monitoramento das barragens em todo o Paraná será realizado em duas etapas. A primeira é de inventário, para obter uma visão geral de quais são as barragens, onde está a propriedade, qual o uso e a situação.

“Num segundo momento se estabelece o regime de protocolo. Tudo isso feito em conjunto com o Simepar e a Secretaria do Desenvolvimento Sustentável, focados em protocolos que sejam seguidos para a caracterização de cada uma dessas estruturas”, disse.

Depois, conforme o caso e a avaliação de riscos e danos potenciais, desenvolvem-se as estratégias específicas: “Nem todas merecerão a modelagem de ruptura das barragens. Isso é feito quando é necessário, quando o risco de ruptura e os impactos observados são relevantes. Então cada caso será tratado conforme a relevância”.

A UFPR (Universidade Federal do Paraná) participará dos trabalhos, principalmente na atração de profissionais sobre a questão de gestão de risco em reservatórios e na segurança de barragens.