São José das Palmeiras – Após 60 dias de aflição e muitas perdas causadas pela estiagem, aos poucos a situação começa a se normalizar. Em São José das Palmeiras, as últimas semanas foram de bastante preocupação. Além das perdas no campo provocadas pela seca, nas propriedades rurais faltou água para matar a sede do ser homem e dos animais. Nascentes e até poços artesanais secaram e a água só chegava com caminhão-pipa.

O diretor de Meio Ambiente de São José, Quirino Kesler, conta que a condição está um pouco menos problemática nos últimos dias após chover cerca de 90 milímetros, suficiente para recompor minas e nascentes. “Antes disso, o caminhão precisou fazer muitos atendimentos para as granjas de suínos e aves e até mesmo para o consumo humano. As nascentes simplesmente secaram”, lembra.

Outro problema enfrentado no Município deixa a comunidade ainda mais suscetível à estiagem. É que, como o terreno é muito acidentado, os poços artesianos têm de 250 a 300 metros de profundidade. Além da dificuldade de encontrar água por lá, as bombas têm de ser muito potentes, mas mesmo assim não davam conta de puxar a água, o que levou a prefeitura a desativar seis dos oito poços existentes.

Por lá, o perímetro urbano não chegou a sofreu com a escassez de água e o risco está descartado por enquanto, mas parte das interligações para abastecimento ocorre a partir das minas e das nascentes: “Esta não é uma situação isolada e preocupa muito”.

Em Ramilândia, chiqueirões e aviários são abastecidos com caminhões-pipas. Embora por lá também tenha voltado a chover, os níveis de água ainda estão baixos e a preocupação é de nova estiagem.

Em Mercedes, os caminhões-pipa ainda deixam a cidade rumo ao interior. Segundo o Departamento de Infraestrutura do Município, a situação mais crítica aconteceu em dezembro e no início deste mês. Agora, o abastecimento extra continua, mas em menor escala. As propriedades criadoras de aves e suínos ainda exigem a maior demanda diária.

Já em Itaipulândia, onde a seca também castigou o campo e a cidade, a situação não é tão grave porque a prefeitura perfurou 20 poços artesianos. Segundo o diretor do Departamento de Agricultura e Meio Ambiente, Sidnei Paulo Rodrigues, eles estão dando conta do abastecimento de água no interior, para humanos e animais, mas as perdas com o cultivo de grãos seguem se acentuando a cada dia. As primeiras áreas colhidas tiveram quebra de até 65% de produtividade e o Município aguarda o fim da colheita, previsto para início de fevereiro, para calcular os prejuízos totais.

A boa notícia é que pode chover neste fim de semana o suficiente para ajudar a recompor as nascentes. Em média, a expectativa é de 30mm de precipitação para a região, embora ainda devam ocorrer de maneira não uniforme.

A situação segue mais crítica nos municípios que margeiam o Lago de Itaipu onde, além da escassez de chuva, o calor tem sido muito intenso.