João Vitor já pensa em mudar de apelido. Ao da um mergulho na pista molhada do Engenhão, na prova dos 110m com barreiras, o atleta de Marília pode ter afundado de vez o “sobrenome” da Barreira e incorporado de vez o João do Peixinho. Afinal, a estratégia de se jogar na linha de chegada deu resultado e ele estará na semifinal, amanhã. ATLETISMO 15-08

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Não foi um mergulho inédito. João do Peixinho repete a cena desde 2011, quando usou a, digamos, “técnica” para pular uma posição e chegar em terceiro em um Pan-Americano Juvenil em Miami, nos Estados Unidos. Dessa vez, ele deslizou ainda mais longe e ganhou novo apelido, na velocidade da multiplicação proporcionado pela tempos digitais.

? Na verdade, tudo que é natural pega. Ano passado, falei João da Barreira, porque João tem um monte no mundo. Em uma entrevista, pegou. Então, se apelidaram para João do Peixinho, que seja. O que vale é torcer ? disse João, que “treina” desde criança para o momento crucial da carreira no Rio-2016:

? Nunca pensei em fazer. Tanto que falei: “Cara, caí de novo”. Depois, vi que valeu a pena. Foi gostoso deslizar ali, lembrei daquela brincadeira de criança, em casa, quando jogava sabão no chão para deslizar gostoso. Enquanto precisar fazer, vou fazer. Realmente, não pensei, situação de necessidade. O ser humano faz, nestas situações, coisas sem pensar. É automático.

Navegar nas pistas de atletismo mundo afora no piloto automático é osso duro de roer. O peixinho já rendeu a João algo bem mais incômodo que colocações melhores.

? Ralei os joelhos, mas isso aqui não é nada não. Eu já fraturei o pé esquerdo no treino e na China, a costela, na hora do peixinho, caí de lado, porque escorreguei.Mas meu maior ídolo é o Ayrton Senna. Então, “botei” pneus de chuva no Engenhão e vamos que vamos ? disse.

João cruzou com 13s63, sua melhor marca na temporada, e passou à semifinal em quarto. O brasileiro Éder de Souza também se classificou. João promete novo peixinho nesta terça-feira.
– Jogos Olímpicos, Mundial, não tem tempo para perder e precisamos nos reinventar, buscar algo novo. Eu já tenho feito tanto isso que quando eu vejo que há a necessidade de eu pegar um próximo tiro, independentemente do jeito, se for dando cambalhotas, correndo para trás, caindo, o que importa é pegar. Hoje, eu competi o primeiro tiro e, do jeito que foi, eu me classifiquei para o próximo tiro, que será a semifinal. Se não passar eu não vou sair com o sentimento de que poderia ter feito mais. Eu nunca saí de uma corrida pensando deste jeito, porque, como viram, eu tento forte, tento fazer sem pensar nas consequências. Tenho que pensar na necessidade.

A moda pegou instantaneamente e, na final dos 400m feminino, a atleta das Bahamas, Shaunae Miller, cruzou em primeiro com técnica semelhante.
– Olimpíada é isso. Tem que ter garra, força. Estas são características do João – disse Eder Souza.

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