Janeiro de 2019 entra para a histórica de Cascavel como o mês menos violento desde que esses dados são monitorados. Só não há razões para comemorar devido à morte de Solange Fátima de Andrade, que foi brutalmente assassinada pelo marido Israel da Silva Rodrigues Barbosa no dia 13, que a deixou agonizando a noite toda e chamou socorro no dia seguinte, quando disse que ela teria tentado se matar. Ele foi preso em flagrante por feminicídio.

O policial civil Leandro Sarmento trabalha como investigador há 33 anos. Ele lembra que, quando chegou a Cascavel, em 1992, havia pouco mais de 120 mil habitantes. Segundo ele, não dá para comparar em detalhes, mas afirma: os dias hoje são bem melhores. “Violência sempre houve. Hoje há mais de 300 mil habitantes e a cidade está de parabéns. As equipes de investigação têm atuado bem, a Polícia Militar tem trabalhado muito bem, a Guarda Municipal também, especialmente a Patrulha Maria da Penha, então tudo isso contribui. O número provavelmente nunca vai ser zerado, mas até onde posso afirmar a violência está mais controlada”.

Escala

Desde 2005 o Jornal Hoje acompanha diariamente a violência em Cascavel. Janeiro do ano passado, por exemplo, registrou três homicídios, e o mesmo mês de 2017 teve dez mortes violentas.

Nessa mesma comparação, nossos arquivos revelam que o janeiro mais violento foi o de 2012, quando houve 17 assassinatos em apenas um mês.

Segundo Sarmento, os números podem apresentar grande variação, já que a violência depende de vários fatores, como a economia. “Não podemos só nos basear em estatísticas, até porque, pela proximidade com a fronteira, Cascavel é um corredor e isso dificulta a investigação. O bandido pode vir de fora, praticar o crime e sumir. Mesmo assim, temos alcançado bons resultados na segurança”.

Com a morte de Solange, Cascavel fecha janeiro de 2019 (pelo menos até as 22h do dia 31) com um feminicídio e nenhuma morte por confronto, latrocínio nem acidente.

Menos sangue nas ruas da cidade

Pé no freio e mais consciência dos motoristas contribuem para a diminuição da violência no trânsito em Cascavel. Apesar dos vários acidentes ainda registrados e algumas vítimas bastante feridas, não houve registro de mortes no perímetro urbano de Cascavel em janeiro deste ano.

Considerando todo o Município, houve a morte de um motociclista na PR-180, dia 19.

Em janeiro do ano passado, três pessoas perderam a vida em acidentes de trânsito.

O gerente da divisão de Fiscalização de Trânsito da Cettrans (Companhia de Engenharia de Transporte e Trânsito), Alex Sandro Vitório, comemora o saldo zerado. “Que notícia boa! As ações de trânsito foram intensificadas e isso tem ligação direta com esse resultado. O nosso trabalho é um tripé, que envolve engenharia, educação e fiscalização. Com a união dessas três áreas, os números vão melhorando”.