mídiafrancesa.pngRIO ? Os veículos de imprensa franceses amanheceram atônitos como Renaud Lavillenie, que viu Thiago Braz superar em dez centímetros a marca pessoal para destroná-lo no salto com vara olímpico. Em tom elogiativo à competição, a mídia francesa ressaltou a “participação perfeita” do compatriota até a “surpreendente” performance do brasileiro. Uma grande decepção para o francês, que precisou se contentar com a prata ? e acalmar os nervos quanto as vaias do público no Estádio Olímpico, também pontuadas pelos jornais da França.

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Um duelo que ficará para a História dos Jogos, na opinião do “Le Parisien”. No tempo real, que publicou cada desdobramento da prova, o jornal escolheu ressaltar o feito do novo recordista olímpico na “empolgante” competição. “Impensável, incrível, imenso! Vão faltar adjetivos para qualificar a performance de Thiago Braz”. Contrapôs, no entanto, o desempenho “excepcional” do medalhista de ouro à educação da torcida anfitriã, que teria “esquecido as bases elementares do fair play nos saltos do francês”.

No texto do “Le Figaro”, o “surpreendente” brasileiro “privou” Lavillenie do bicampeonato. Uma grande decepção para o ex-campeão, que teria liderado a maioria da prova. Já o “L’Équipe”, especializado em esportes, preferiu entrevistar o medalhista de prata e o treinador: deu espaço para uma ampla crítica do atleta às vaias do público durante a competição ? impactada por “reviravoltas” e “dominada quase toda” pelo francês, que terminara “atrás da imensa surpresa de Thiago Braz”.

Para o jornal, tratou-se de uma das “mais loucas surpresas” do Rio-2016. Depois de um começo de prova dos sonhos, escreveu, Lavillenie só pôde assistir, impotente, o incrível êxito do brasileiro. Sem adjetivar, pontuou que o francês falhara na última tentativa para a barreira 6,08m sob vaias das arquibancadas.

2016_931701452-201608152359157078_RTS.jpg_20160815.jpg“Lavillenie cai do topo”, estampou no título o “Le Monde”. Na avaliação do diário, o saltador compatriota “saiu da bolha de concentração” ao se “exceder com as vaias do público carioca” ? uma torcida que encoraja tão bem os seus quanto desestabiliza os adversários. Atordoado, o francês já sabia que perderia a coroa antes do último salto, para o jornal. O “discurso de circunstância” logo após a prova, de que estava satisfeito, deu lugar “à raiva e ao sentimento de frustração”, que guiaram o vice-campeão a uma “comparação infeliz” com a hostilidade dos Jogos de Hitler, publicou.

“Como imaginar que um jovem atrevido de 22 anos pudesse se lançar pela primeira vez acima de seis metros na final dos Jogos Olímpicos?”, escreveu o “Le Monde” depois de ressaltar que Lavillenie havia inclusive batido seu recorde ao passar a barreira de 5,98m. Para o diário, a pista azul do Estádio Olímpico “torna possível o impensável”. A “catástrofe” a vir seria imprevisível.

Em entrevista com o técnico ? que em tom de admiração havia descrito o país como “bizarro” por conta das surpresas olímpicas ? o jornal pontuou “o irracional da situação”: “Sem ter consciência, o treinador [do francês, Philippe D’Encausse] pressentiu as forças místicas, talvez aquelas do candomblé, a religião afro-brasileira ainda implantada nessa terra”.