Cascavel – Três pacientes realizaram a ECMO (oxigenação por membrana extracorpórea) no HUOP (Hospital Universitário do Oeste do Paraná), em Cascavel. A terapia, que ganhou notoriedade após a divulgação de que o ator Paulo Gustavo foi submetido ao tratamento, está sendo utilizada no hospital durante a pandemia, chamado popularmente de “pulmão artificial”.

Contudo, de acordo com a equipe médica, a indicação não é para todos os pacientes e os centros que não possuem profissionais capacitados para o procedimento não devem “adquirir experiência no uso durante a pandemia”, conforme orientação das principais sociedades envolvidas. “Os pacientes precisam preencher alguns pré-requisitos, um deles é ter a menor quantidade de outras disfunções orgânicas associadas, como a cardíaca ou renal. A terapia também é mais indicada para pacientes jovens e sem comorbidades”, explica o coordenador médico da UTI Covid-19, Thiago Giancursi.

A ECMO é indicada quando há um comprometimento pulmonar importante causado por uma doença aguda, como a covid-19. “É indicada quando o paciente não consegue oxigenar o sangue mesmo com toda a ajuda disponível do ventilador mecânico. Se a hipoxemia persiste, é indicada essa terapia e todos os pré-requisitos e indicação para isso são avaliados com cautela para que não haja piora do quadro clínico”, enfatiza.

O tratamento foi realizado em dois pacientes com covid-19 e outro internado na UTI Geral do hospital.

De acordo com o médico, a indicação em pacientes com covid-19 é avaliada com cautela devido ao potencial da doença de causar alterações em diversas funções do organismo. “A covid-19 tem como consequência muitos eventos trombóticos e hemorrágicos e é necessária uma atenção maior com a coagulação do sangue nesse tratamento”, ressalta.

 

Como funciona

O coordenador médico da UTI Covid-19 explica que a ECMO funciona como uma diálise para o pulmão e pode trazer vários benefícios para o tratamento. “Através de duas cânulas, o sangue do paciente passa pela máquina onde o sangue é oxigenado e então é devolvido ao paciente. Enquanto isso, o pulmão fica em repouso e isso é benéfico para que o órgão não seja mais prejudicado com elevados parâmetros da ventilação mecânica”, explica. “Além de oxigenar o sangue, o tratamento também dá suporte hemodinâmico, pois ele funciona como uma bomba, devolvendo o fluxo de sangue, e isso reduz o trabalho cardíaco e facilita a recuperação”, complementa Thiago.

 

Fora do SUS

A ECMO ganhou evidência a partir dos anos 2000, mas ainda poucos serviços dispõem do equipamento e profissionais treinados. A terapia não é remunerada pelo SUS (Sistema Único de Saúde) e, em razão disso, poucos hospitais públicos oferecem o serviço.

O HUOP possui o equipamento em comodato desde julho de 2020 e a empresa fornece ainda o profissional perfusionista, que é exigido durante o uso do aparelho. Já os insumos necessários são responsabilidade da instituição. “É uma opção terapêutica importante, que tem ganhado espaço, mas também é uma tecnologia difícil e exige um maior número de profissionais para o cuidado com o paciente, já que, por vezes, o paciente permanecerá nesse tratamento por dias e até semanas, recursos que estão limitados em tempo de pandemia. Além disso, não é uma terapia que pode ser feita em um centro sem profissionais treinados. É necessário o aprimoramento da equipe para que a terapia auxiliar não seja mais prejudicial do que a doença que levou à disfunção pulmonar persistente e refratária”, conclui.