Cascavel – A confirmação de que os casos de Influenza H3N2 já são considerados de transmissão comunitária, coloca em alerta o setor de saúde que há tempos vem expondo a necessidade de as pessoas cuidarem com outras doenças, que acabaram sendo esquecidas durante esses dois últimos anos de pandemia da Covid-19. A primeira confirmação do H3N2 foi registrada no Paraná no dia 2 de dezembro de 2021.

De acordo com a chefe da 10ª Regional de Saúde de Cascavel, Lilimar Mori, durante a pandemia as pessoas ficaram dentro de casa e o reflexo disse é que as outras doenças acabaram diminuindo, mas quando as pessoas começaram a sair mais frequentemente e as aulas voltaram, as outras doenças voltaram a se manifestar, como é o caso da própria Influenza. “Temos que começar tudo de novo, mantendo exames de prevenção e cuidando da saúde”, disse a médica.

Sobre a Influenza H3N2, Lilimar disse que em toda a Regional de Cascavel há apenas 3 casos confirmados e muitos outros em investigação, e que é importante que quem ainda não se imunizou procure uma unidade de saúde e faça a vacina contra a gripe. Além disso, existem kits de testes de identificação deste tipo de doença e os medicamentos antivirais, que antes eram solicitados com mais frequência no período do inverno, mas que com aumento dos casos, já foram distribuídos para os municípios e em consequência, para as unidades de saúde.

 

NOVO VÍRUS

Outra preocupação das autoridades de saúde é com um novo vírus que está sendo identificado, o “Flucona”. Ele é uma junção da Influenza e do novo coronavírus, já identificado em alguns pacientes no Brasil, mas que ainda não tem registros de casos no Paraná. “O que temos de armas são as vacinas, tanto da Influenza quanto do Covid. É importante que as pessoas façam as duas, inclusive foi constatado que não tem mais prazo de aplicação de uma para a outra, elas podem até ser feitas junto”, salientou. Em Toledo, o chefe da 20ª Regional de Saúde, Alberi Locatelli, disse que existem oito casos confirmados da Influenza H3N2, sendo que 4 deles são de Toledo, o restante de Terra Roxa, Palotina e de Quatro Pontes. Ele também falou do impacto da pandemia nas outras doenças. “Nesses últimos dois anos teve bastante descuido por parte da população com outras doenças, e é importante que se retome esse cuidado”, falou.

 

Transmissão comunitária

Na noite de segunda-feira (3), a Secretaria de Estado de Saúde confirmou 224 novos casos da Influenza H3N2, sendo que agora o Paraná tem 262 casos positivos e um óbito. A transmissão é considerada comunitária, situação decretada quando ocorre o contágio entre pessoas no mesmo território, entre indivíduos sem histórico de viagem e sem que seja possível definir a origem da transmissão. Os sintomas são conhecidos como a maioria das gripes e os cuidados devem ser os mesmos aplicados na prevenção da Covid-19.

De acordo com o secretário estadual de Saúde, Beto Preto, ainda existem cerca de 700 mil vacinas disponíveis para a população. “Precisamos que a população continue buscando pela imunização, dificultando a infecção pelo vírus da gripe, seja ele qual for”, completou. O secretário lembrou que em até 48h da infecção pelo vírus da Influenza, o medicamento oseltamivir (tamiflu), quando receitado por um médico e em dosagem apropriada, possui efetividade contra o agravamento do quadro clínico, diminuindo o risco de morte.

A equipe responsável pela Assistência Farmacêutica da Sesa já disponibilizou o medicamento para todas as Regionais de Saúde e os estoques permanecem abastecidos. Além disso, a Secretaria também solicitou mais remédios ao Ministério da Saúde e está em negociação para compra de testes rápidos específicos para a gripe, a fim de ampliar o monitoramento da doença no Estado.

Atualmente os diagnósticos de Influenza são realizados nos serviços de saúde após procura por atendimento e também nas 34 unidades sentinela do Paraná, responsáveis pela detecção de doenças circulantes por meio de amostras aleatórias. Já com relação a nominação da cepa do vírus, a confirmação depende do sequenciamento genômico da Fiocruz, no Rio de Janeiro.

 

Cascavel inicia mutirão de vacinação e libera unidades específicas para gripe

 

A Secretaria Municipal de Saúde de Cascavel divulgou ontem que passa a disponibilizar três unidades de saúde referência para atendimento de pacientes sintomáticos respiratórios. As unidades de saúde do bairro Floresta, Santa Cruz e Nova Cidade, vão atender das 7h às 22h. O atendimento está programado até a próxima segunda-feira (10), podendo o prazo ser reavaliado, dependendo da demanda nestas unidades.

Além disso, um mutirão de vacinação começa nesta quarta-feira (5) em 17 unidades de saúde que estarão abertas para vacinação até às 22h. Os profissionais de saúde estarão aplicando a primeira dose para pessoas com 12 anos ou mais, segunda dose para quem tomou a primeira até o dia 15 de dezembro de 2021 e o reforço (3ª dose) para os vacinados com a segunda até o dia 05 de setembro de 2021. Também estará sendo disponibilizada a vacinação contra a Influenza.

 

Consulta pública rejeita prescrição médica para vacinação de crianças

 

O resultado da consulta pública realizada pelo Ministério da Saúde sobre a vacinação em crianças de 5 a 11 anos de idade mostrou que a maioria se manifestou contrária à necessidade de apresentação de prescrição médica para vacinação, e não concordou com a obrigatoriedade da vacina, posição que deve ser divulgada oficialmente nesta quarta-feira (5).

Disponível por 11 dias, a consulta pública colocou em discussão a inclusão de crianças no Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19. O ministério tem se posicionado a favor de que a vacinação de crianças de 5 a 11 anos de idade ocorra mediante a apresentação de prescrição médica e o consentimento dos pais.

Ainda na segunda-feira (3), o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse que as doses para crianças de 5 a 11 anos de idade devem começar a chegar ao Brasil na segunda quinzena de janeiro. O laboratório Pfizer, fabricante do imunizante, confirmou o prazo previsto pela pasta.