Governo alemão poderá facilitar deportações de imigrantes após ataque em Berlim

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BERLIM ? Sob pressão depois do ataque terrorista que matou 12 pessoas em Berlim, o governo alemão já sugere que pode trazer à tona uma proposta de legislação para facilitar as deportações de imigrantes no país. As autoridades vem sendo duramente criticadas por não terem deportado o tunisiano Anis Amri, suposto responsável pelo atentado de segunda-feira, embora o seu pedido de abrigo no território alemão tenha sido negado. O jovem de 24 anos tinha passagens pela polícia e estava na mira das autoridades por possíveis conexões terroristas, mas ainda assim conseguir permanecer na Alemanha. berlim

Uma porta-voz da chanceler federal alemã, Angela Merkel, disse que a chefe do governo discutirá a deportação de requerentes de asilo rejeitados em uma conversa por telefone com o presidente da Tunísia, Beji Caid Essebsi, nesta sexta-feira. A possibildiade de revisar as leis alemãs também foi citada em entrevista coletiva desta manhã pelo ministro do Interior, Thomas de Maizière, depois que Amri foi morto por policiais italianos em Milão durante a madrugada.

Na entrevista, Maizière confirmou que a investigação sobre o caso continuará em andamento, mesmo após a morte de Amri. Ele reforçou que o nível de ameaça terrorista no país continua alto.

CRÍTICAS A AUTORIDADES ALEMÃS

Três dias depois do atentado a um dos principais mercados de Natal de Berlim, a Alemanha procurou voltar à normalidade. O local invadido por um caminhão ? que matou 12 pessoas e deixou 48 feridos ? foi reaberto. E o comércio na região, no bairro Charlottenburg-Wilmersdorf, principal centro comercial da capital alemã, voltou a ficar lotado. Mas, apesar de uma aparente retomada da rotina, todo o país se pergunta: como um islamista classificado oficialmente como perigoso, fichado na polícia, pôde praticar o ataque?

Entre as principais críticas, os alemães questionam por que a carreta não foi examinada imediatamente. A perícia só veio a descobrir na manhã de terça-feira, dia seguinte ao ataque, o documento do tunisiano Anis Amri, de 24 anos, que, então, tornou-se o principal suspeito.

? As informações que temos são chocantes ? afirmou Armin Laschet, vice-presidente da União Democrata Cristã (CDU), partido da chanceler federal Angela Merkel, ao comentar as falhas. ? Não é desta maneira que vamos garantir a segurança da Alemanha.

Aos poucos vêm sendo revelados os detalhes da investigação, que cada vez mais chocam o país. Em julho passado, Amri foi preso na cidade de Friedrichshafen e deveria ter ficado na prisão aguardando a deportação. Mas foi libertado no dia seguinte por ordem do Departamento dos Refugiados da cidade de Kleve, na Renânia, a primeira residência dele na Alemanha, quando chegou, vindo da Itália, em julho do ano passado.

A exemplo do jihadista que, no final de julho, explodiu uma bomba suicida na entrada de uma discoteca na cidade de Ansbach, no Sul da Alemanha, Amri também tinha um status de ?tolerado? concedido pelas autoridades alemães, após o pedido de asilo político ter sido recusado.Supeito atentado Berlim.jpg

NO PAÍS, 160 MIL COM ASILO NEGADO

Atualmente, 160 mil pessoas que deveriam ter sido deportadas após ter o requerimento negado, não o foram por motivos humanitários ou questões burocráticas.

? Precisamos diferenciar os candidatos à deportação. Muitos não podem ser deportados porque correriam risco de vida nos seus países de origem ? enfatizou o diretor do Sindicato dos Policiais, Rainer Wendt. ? A polícia falha porque quer trabalhar de acordo com a lei.

A lei alemã não permite a deportação de alguém sem documentos válidos. É sabido que muitos imigrantes jogam fora as identidades. Como entraram na Alemanha quando a fronteira estava aberta, sem mostrar passaporte, as autoridades têm dificuldade em descobrir até os países de origem. Para o chefe do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) em Berlim, o ex-general Georg Pazderski, também ex-integrante da cúpula militar da Otan, as autoridades se comportaram com ingenuidade, na ?esperança de que nada acontecesse?.

? Os planos de Amri, que já tinha praticado delitos na Itália, eram conhecidos. Mas ninguém fez nada para impedi-lo.

Amri aprendeu a dirigir caminhão e planejou o atentado praticamente debaixo do nariz das autoridades. Na sua página no Facebook, só apagada na quarta-feira, ele mostrava com orgulho o seu mundo extremista. No último post, de agosto de 2015, posa como jihadista. Mas o diretor do Sindicato dos Policiais defende as autoridades:

? Nós só podemos fazer o que a lei permite. A burocracia, muitas vezes, dificulta o trabalho ? ressaltou Wendt.Germany Christmas Market


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