PARIS ? O governo francês defendeu a proibição do uso de burkinis (traje de banho islâmico) em alguns municípios do país, mas pediu aos prefeitos para tentar conter as tensões entre as comunidades.

Três cidades do Mediterrâneo ?Cannes, Villeneuve-Loubet e Sisco, na ilha de Córsega ? proibiram os burkinis, e Le Touquet, na costa atlântica, está planejando fazer o mesmo.

Os prefeitos que impuseram a proibição, principalmente conservadores, defendem que o vestuário, que deixa apenas o rosto, mãos e pés expostos, desafia as leis francesas sobre o secularismo.

O debate é particularmente sensível na França, que enfrentou uma onda de recentes ataques por militantes islâmicos, incluindo explosões e tiroteios em Paris, que mataram 130 pessoas em novembro passado, o que aumentou as tensões entre as comunidades e deixou as pessoas temerosas em locais públicos.

A ministra dos direitos das mulheres, Laurence Rossignol, apoiou as proibições municipais do burkini, mas disse que não devem ser vistas no contexto do terrorismo.

? O burkini não é uma nova linha de moda praia, é a versão de burca para a praia e tem a mesma lógica: esconder os corpos das mulheres, a fim de melhor controlá-los ? disse Laurence ao diário francês ?Le Parisien?, em uma entrevista.

Em 2010, a França introduziu a proibição do uso de niqab (que cobre todo o corpo e deixa de fora apenas os olhos) e da burca (roupa que cobre a mulher da cabeça aos pés) em público.

Laurence disse que o burkini tinha elevado as tensões nas praias francesas devido à sua dimensão política.

? É o símbolo de um projeto político que é hostil à diversidade e à emancipação das mulheres ? afirmou.