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Fórum da deep web reivindica massacre em creche de SC e ameaça: “Não foi o último atentado”

O assassino foi internado e a polícia ainda não conseguiu colher seu depoimento, mas já apreendeu seu computador

Fórum da deep web reivindica massacre em creche de SC e ameaça: “Não foi o último atentado”

Na deep web, membros do Dogolachan (fórum anônimo da extrema direita) reivindicaram o atentado à creche em Saudades (SC) que deixou cinco mortos e uma criança na UTI em estado grave.

Três crianças e duas funcionárias foram assassinadas a golpes de facão na manhã dessa terça (4).

“Cada um de nós morreremos como martíres, assim esperamos, este não foi o último atentado, isto nada mais é do que chamamos de ‘Seleção Natural’” (sic), escreveu um anônimo no fórum.

Ele ainda diz que Fabiano Kipper Mai (18), o autor do atentado, é um “herói nacional”:

Membros do Dogolachan ameaçam fazer novo atentado

Divergências sobre “actvm sanctvm”

Apesar de o texto dizer que o objetivo da “legião de soldados dispostos a matar e morrer” é assassinar membros da comunidade LGBT, feministas, negros e pessoas de esquerda, o assassinato de crianças gerou divergências entre os lunáticos.

“Crianças? Elas nem puderam se defender”, diz um anônimo.

“Matar crianças é sempre correto. Não se deve esperar para que cresçam aprendendo com nossos inimigos, para depois se tornarem futuros inimigos”.

No mesmo fórum, discute-se se o massacre foi um “actvm sanctvm” (ou ato santo: massacre ou assassinato considerado por eles um ato honroso).

“Você não sabe nem fodendo o que é um ACTVM SACTVM. E não, isso não foi um actvm sancvm, paneleiro underage de bosta” (sic), critica outro anônimo.

Incels discutem validade do título de “actvm sanctvm” para massacre em SC

Post do mês passado sugere que o assassino pediu orientações no fórum

Em 08 de abril, um anônimo foi ao fórum pedir orientação de como cometer um atentado.

Num post feito à noite, ele diz que quer se matar, mas antes “levar cada depósito [eles se referem a mulheres como ‘depósitos de porra’], degenerada e feminista que veja”.

“Eu não conseguir nenhum contato seguro para a compra da arma de fogo, pois dinheiro eu tenho, porém, decidir realizar o ato com arma branca que será um pouco mais complicado, o que os senhores podem me sugerir? Quais armas brancas especificamente obter? Onde realizar o ato em local que não tenha muitas pessoas? E em qual horário? E qual o local mais vital?” (sic).

Após os assassinatos, o autor do atentado tentou se matar com uma facada no próprio pescoço, mas naõ teve sucesso e acabou intubado em estado grave num hospital.

Na publicação supostamente feita por Kipper, o autor afirmou:

“Na parte do meu suicídio, irei golpear-me no pescoço”.

O post publicado em abril e foi recuperado por membros do Dogolachan, que avaliam que “tudo indica” que foi o autor do massacre quem o escreveu e comemoram que ele “levou duas depósitos no ato sancto” (sic).

Grupo diz que “tudo indica” que post feito em abril no Dogolachan é da autoria de Kipper

O que se sabe do caso até agora

Na terça-feira (4), o autor do massacre entrou na escola e atacou primeiramente a professora Keli Adriane Aniecevski, que sobreviveu e correu para uma sala.

O autor a seguiu e atacou as quatro crianças que estavam no local, além de Mirla Renner, agente educativa, que foi socorrida mas não resistiu.

Todas as vítimas foram atingidas por pelo menos cinco facadas.

O assassino foi internado e a polícia ainda não conseguiu colher seu depoimento, mas já apreendeu seu computador.

Segundo o delegado do caso, Kipper é “um rapaz problemático” e “introspectivo”, “sofria bullying na escola” e “maltratava animais”.

O autor foi autuado em flagrante por cinco homicídios triplamente qualificados, além de uma tentativa de homicídio contra a criança que está hospitalizada.

A Justiça de Santa Catarina já determinou sua prisão preventiva.

Reportagem: Diário do Centro do Mundo