Curitiba – Os quatro consórcios – compostos por grupos americanos, espanhóis, franceses e coreanos – que se habilitaram nos PMIs (Procedimentos de Manifestação de Interesse) deverão apresentar ao governo do Estado, à Secretaria de Infraestrutura e Logística e à Ferroeste no dia 9 de dezembro os projetos para a construção do novo traçado da ferrovia com dois ramais numa extensão de mil quilômetros desde Dourados (MS) até Paranaguá (PR), passando por Cascavel.

Esses ramais deverão ser divididos da seguinte forma: de Dourados a Cascavel e de Guarapuava a Paranaguá. A ferrovia já existente e usada pela Ferroeste de Cascavel a Guarapuava deve ser reaproveitada.

A atualização do modal ferroviário paranaense deverá ter investimentos bilionários – estimados em R$ 10 bilhões – e está diretamente focada no escoamento de grãos e produtos da Região Centro-Oeste, de todo o Paraná, especialmente oeste e sudoeste, e do Paraguai, suprimindo importantes gargalos que fazem com que trechos da Ferroeste não sejam utilizados em sua capacidade e que acabam por sobrecarregar o escoamento por rodovias, além do elevado custo para o transporte rodoviário.

Os projetos deverão ser apresentados pelos consórcios que foram autorizados pelo Estado a fazer os estudos de viabilidade nas esferas técnica, ambiental e econômica.

Novo modelo

O diretor-presidente da Ferroeste, Ricardo Soares Martins, reforça que a partir da apresentação desses projetos, que deverá ocorrer na sede da Seil, tem início a avaliação técnica das propostas e qual modelo será utilizado, o que define os termos para abertura da licitação, o que deve ocorrer somente no segundo semestre de 2019 e, provavelmente, ocorrerá como PPP (Parceria Público-Privada).

Vale destacar que nenhum dos consórcios recebe pela elaboração do ou dos projetos neste momento e a remuneração, no valor de R$ 25 milhões, só ocorrerá ao vencedor após o certame.

Por enquanto, o que se sabe é que o traçado da ferrovia será paralelo à BR-277, dependendo de entraves geológicos, ambientais e até étnicos. “Será escolhido o projeto que tiver melhor custo-benefício, a melhor taxa de retorno, os menores impactos ambientais e as alternativas mais eficazes para minimizar esses impactos e outras questões sociais, como propostas para trechos que passarem por áreas indígenas, por exemplo”, adianta o diretor da Ferroeste, ao reforçar que cada consórcio deverá apresentar quatro opções de traçado.

Embora moroso devido à sua magnitude e complexidade, o processo tem tramitado dentro do cronograma inicial. Contudo, a troca de governo estadual, em janeiro de 2019, pode provocar alguma alteração nas decisões sobre a forma com que se dará a licitação e a realização da obra, e quais termos da PPP serão adotados. A licitação será conduzida sob a gestão do governador Ratinho Júnior (PSD).

Modelo russo

No início da semana uma comitiva paranaense composta por técnicos servidores do Estado embarcou para a Rússia para conhecer uma estrutura ferroviária considerada modelo e que poderá ser usada no novo traçado. Trata-se de trilhos suspensos. Contudo, não se tem notícia de que esse modelo tenha sido adotado em outra parte do mundo.