Estudo diz que a música segue um padrão universal

Mais de 300 culturas foram analisadas para comprovar que há similaridade entre as canções mesmo a quilômetros de distância

Um macroestudo realizado pela equipe do pedagogo Samuel Mehr, da Universidade Harvard (EUA), com mais de 300 sociedades tradicionais do mundo tentou responder a três perguntas aparentemente simples: o que é música?; como funciona? e por que existe?, e, durante cinco anos, dedicaram-se ao tema no Laboratório de Música de Harvard.

A equipe montou a “História Natural da Canção”, com registros sonoros de quatro tipos de canção – de amor, de ninar, de dança e de cura – de todas as sociedades pesquisadas. As anotações foram feitas de forma detalhada.

Com esses dados, eles analisaram três dimensões de cada canção, como: a formalidade, que é considerada alta em ambientes cerimoniais; a excitação, que é associada a danças coletivas; e o fator religioso, presente nos funerais e rituais xamânicos. Os cientistas também classificaram as canções de acordo com suas características rítmicas e melódicas e, para isso, usaram alguns programas de computador.

O resultado da pesquisa, publicado na revista Science, comprovou que as canções produzidas em ambientes socialmente semelhantes possuem as mesmas características. Ou seja, uma canção feita para dançar será uma canção dançante no deserto da Líbia ou no Canadá.

“Uma das grandes perguntas sem resposta é como a percepção da música varia em todo o mundo. Estudamos 30 mil ouvintes em uma experiência e somos capazes de descobrir que tipo de canção estão ouvindo, inclusive se as canções são de sociedades de outros países”, relata Mehr. Os pesquisadores já haviam provado, em 2018, que é possível descobrir a função exata da canção em apenas 14 segundos.

Quanto às recomendações, o estudo divide opiniões, como a do musicólogo Emilio Ros-Fábregas, que é responsável pelo Fundo de Música Tradicional da Instituição Milá y Fontanals (IMF-CSIC) de Barcelona, uma coleção do patrimônio musical espanhol com mais de 20 mil melodias populares recolhidas entre 1944 e 1960 em todo o país. Para Ros-Fábregas, a solidez do estudo deve ser aplaudida, mas ele não acredita na universalidade da música. “Desafio qualquer um a ouvir um fragmento de Yaegoromo, uma canção japonesa do repertório da tradição oral, e descobrir sua mensagem”, afirma o pesquisador.

No entanto, Mehr fala inclusive de uma “gramática musical” compartilhada entre todos os cérebros humanos.

A música no cotidiano

 Na rotina das pessoas, as canções são uma parte importante. Com a facilidade de ter as melodias disponíveis em qualquer lugar atualmente, é comum as pessoas produzirem suas playlists de música para viagem, trabalho e estudo, por exemplo.

Dessa forma, assim como Mehr prevê em seu estudo, culturas e sociedades semelhantes compartilham suas canções e, assim, é comum escutar músicas produzidas em outros países.

*Conteúdo patrocinado. 



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