Acadêmicos do curso de Medicina da Unioeste (Universidade Estadual do Oeste do Paraná) organizam uma manifestação em frente ao câmpus de Cascavel para cobrar do governo estadual recursos específicos para atendimentos voltados à saúde mental. O protesto ainda não tem data marcada, porém, a expectativa é reunir mais de 200 pessoas, a maioria estudantes.

Um dos organizadores, Felipe Andrade, explica que o suicídio de uma jovem de 20 anos, estudante de Medicina, há menos de duas semanas, reabriu uma discussão antiga na universidade. “Sabemos que muitos alunos enfrentam problemas psicológicos, pelo mais variados fatores. O caso da morte da acadêmica intensificou ainda mais este debate, que será levado para o protesto”, diz.

Caso a reivindicação dos estudantes seja atendida pelo Estado, a ideia é criar projetos de conscientização e prevenção ao suicídio, além de ações voltadas à qualidade de vida e bem-estar.

Agravantes

Felipe Andrade afirma que há problemas didático-pedagógicos na instituição e que se tornam vilões quando o assunto é saúde mental. Um exemplo, segundo ele, é a morosidade na solução de problemas considerados simples, como a nota de uma avaliação. “Quando o acadêmico discorda de uma nota lançada e leva essa questão até o professor, dificilmente consegue resolver”, conta.

O processo, conforme ele, é burocrático e extremamente lento, e toda essa espera, para alguns, pode desencadear sérios transtornos psicológicos.

Este e outros fatores foram abordados durante seminário realizado na manhã de ontem na Unioeste com profissionais da saúde, acadêmicos e docentes.