Conforme prometido, a reforma da Previdência tem monopolizado as atenções do governo federal neste início de ano. E com razão. Algo urgente e que agora o presidente Jair Bolsonaro tem um cenário favorável para fazer acontecer, condições que não existiam quando seu antecessor Michel Temer tentou fazer passar no Congresso.

Enquanto a imprensa especula algumas possibilidades sobre idade mínima, novas composições, tempo de contribuição, quem entra e quem fica fora, a questão central é: fazer a reforma em doses homeopáticas ou com dose cavalar?

Por mais difícil que seja adotar todas as medidas necessárias agora para salvar a aposentadoria de quem ainda está na ativa, seria muito pior adotar ações paliativas que pouco vão resolver e que daqui a dez anos o sistema para de vez.

Alguns números realmente assustam, mas é mais muito assustador para aquele trabalhador que sonha um dia se aposentar saber que terá de continuar trabalhando porque aquilo com que contribuiu a vida inteira foi gasto com um sistema que ruiu.

É ingenuidade pensar que o rombo da Previdência é fruto daquele senhorzinho que se aposentou por invalidez. É hora de investigar a fundo, de organizar os dados, passar um pente-fino por tudo sem esconder nada. Escândalos após escândalos sobre fraude na Previdência vêm à tona e parece que nada nunca é feito a respeito.

É hora de avaliar a previdência como um todo. Rever aposentadorias a ex-parlamentares que sentaram na cadeira por seis meses ou presidentes que cumpriram mandato-tampão. Rever benefícios pagos a filhas solteiras que jamais se casam para não perder a gorda herança. E, ainda, buscar um equilíbrio dos valores pagos, reduzindo a diferença que existe entre civis, militares e servidores públicos, primando por um sistema mais justo e igualitário a todos.