Dívidas do PCC eram pagas com execução de ordens para matar

O núcleo financeiro da facção era responsável por recolher e gerenciar as contribuições em âmbito nacional

Curitiba – O núcleo financeiro do PCC (Primeiro Comando da Capital), alvo da Operação Cravada deflagrada nessa terça-feira (6), movimentava de R$ 800 mil a R$ 1 milhão por mês. Segundo a Polícia Federal, os valores são relativos aos gastos da facção com a sustentação da “estrutura de rede montada em volta das cadeias”, além da aquisição de drogas e armas.

Cerca de 180 agentes da Cravada cumpriram ontem 85 mandados – 55 de busca e apreensão e 30 de prisão – em sete estados – São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Acre, Roraima, Pernambuco e Minas Gerais.

De acordo com a PF, o núcleo financeiro da facção era responsável por recolher e gerenciar as contribuições em âmbito nacional. O esquema consistia na arrecadação de valores de membros, chamados de “rifas”, que eram cobrados de dois em dois meses e em alguns estados do País, como uma mensalidade.

Em coletiva, o coordenador da Operação, delegado Martin Purper, afirmou que a investigação encontrou planilhas que registravam a “contabilidade” da facção, inclusive com a indicação de dívidas.

Segundo o delegado, as pessoas que deixavam de pagar as contribuições eram excluídas e deixavam de fazer parte da organização, ou, por vezes, aceitavam serem “castigadas para serem perdoadas” ou ainda “pagavam com a prática de crimes”.

O repasse do dinheiro aos líderes da organização era feito em um esquema de “pirâmide”, por meio de diferentes contas bancárias, indicou o delegado.

Segundo a Polícia Federal, as 418 contas ligadas à facção identificadas e bloqueadas no âmbito da Cravada, são “de passagem”, utilizadas para administrar valores e eram utilizadas de maneira alternada.

Crimes em Cascavel

O coordenador da Operação Cravada, o delegado Martin Botarro Purper, afirmou que a morte de dois agentes federais em Cascavel (Alex Belarmino e Melissa Almeida) foi praticada como pagamento de dívidas à facção. Os crimes foram encomendados pelo PCC. “O caso da Melissa e do Alex Belarmino, em Cascavel, são de integrantes que tinham dívidas com a facção e cometeram o crime para conseguir quitar os débitos”, descreve.

Presídios federais

O coordenador da Cravada também apontou que planilhas relacionadas às penitenciárias federais, “demonstraram que visitantes do presos recebiam valores como forma de contribuição por informações que entravam e saiam dos presídios. A apuração identificou R$ 311 mil de gastos entre os visitantes das penitenciárias federais por mês.

A PF informou que os investigados podem responder pelos crimes de Tráfico de Entorpecentes, Associação para o Tráfico, Organização Criminosa, entre outros.

 

 

 



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