Sempre que os termômetros registram queda nas temperaturas, os profissionais da Operação, da Diretoria Técnica de Itaipu, observam o impacto do frio nos equipamentos da hidrelétrica localizada em Foz do Iguaçu (PR). Entra em cena, então, o Plano Inverno, uma série de procedimentos voltados para prevenir falhas no funcionamento dos diversos equipamentos e sistemas instalados na usina e subestações nesses meses mais frios.

“O Plano foi elaborado com o conhecimento e a experiência operacional acumulados ao longo dos anos e é constantemente aperfeiçoado. O objetivo é manter a confiabilidade dos equipamentos e a usina em condições ideais de operação, independentemente da temperatura”, explica o superintendente de Operação de Itaipu, José Benedito Mota.

Segundo ele, as ações estabelecidas no Plano são executadas pelas equipes de Operação em Tempo Real, que atuam na Sala de Controle Central (CCR) e na Sala de Supervisão e Controle da Subestação da Margem Direita, onde as ocorrências são mapeadas. Caso seja necessário, os operadores de campo são direcionados para fazer eventuais manobras e inspeções ou, se for o caso, são acionadas as equipes de Manutenção.

Os dias mais frios interferem, principalmente, em equipamentos que utilizam grandes quantidades de óleo para seu funcionamento. Com a mudança de temperatura, muda também a pressão desses líquidos. Aí, vale lembrar a relação que aprendemos nos tempos de escola: se o volume é constante, quanto menor a temperatura, menor também é a pressão.

E isso provoca alguns fenômenos como o caso de uma gigantesca comporta da tomada d’água descer alguns centímetros em dias muito frios. Quem explica é o gerente da Divisão de Usina e Subestações, Paulo Zanelli: “a comporta da tomada d’água é fechada por meio da gravidade, ou seja, com o próprio peso. Mas, para mantê-la aberta, é usada uma coluna de óleo pressurizado. Com a queda da temperatura, cai a pressão do óleo e a comporta desce alguns centímetros.” Então, imediatamente, o sistema atua para restabelecer a condição normal de operação, com a comporta totalmente aberta.

Outro caso aconteceu nos dias 28 e 29 de junho, quando uma queda brusca da temperatura causou alterações significativas nas rotinas de supervisão, inspeção e controle dos equipamentos em operação na usina. “Com a temperatura ambiente abaixo de 10°C, o Plano Inverno estabelece que os operadores desliguem os sistemas de ventilação das salas que abrigam compressores do sistema de ar comprimido da Casa de Força”, conta o supervisor do Setor de Operação em Tempo Real, o engenheiro Marcio Kriger.

“O Plano Inverno tem mais de 20 anos, alguns equipamentos que hoje estão em operação nem existiam quando o ele foi feito. A usina está em constante evolução e isso demanda esforços de todos para mantê-la em operação”, conclui Paulo Zanelli.