Dengue: Casos duplicam em apenas dez dias no Paraná

Epidemia de dengue: Paraná registra 2.194 suspeitas e confirma 838 casos por dia

Foz do Iguaçu – Os números da dengue no Estado do Paraná continuam crescendo rapidamente. De acordo com o boletim divulgado ontem (11) pela Sesa (Secretara de Estado da Saúde), o número de casos confirmados da doença já chega a 20.563, um aumento de 40% em uma semana, com uma média de 838 novas confirmações por dia. O número de casos notificados cresceu 31% em relação à semana anterior, totalizando 64.825 notificações, o que significa 2.194 notificações por dia.

Unimed

Em Foz do Iguaçu a situação é semelhante e, com 752 casos confirmados, já é considerada situação de epidemia pelas autoridades. O que preocupa é a rapidez do avanço da doença. Dados da Secretaria Municipal de Saúde mostram o aumento expressivo das notificações nos últimos três meses. Em dezembro, somente nas duas UPAs (Unidade de Pronto-Atendimento) foram registradas 500 notificações de suspeita da doença, número que dobrou em janeiro e somente nos dez primeiros dias de fevereiro já chegam a 600 notificações.

Diante da situação, mais um mutirão unindo todas as secretarias do Município e também com o apoio do Exército, da Marinha e da Aeronáutica será realizado para combater o mosquito. As ações começam neste sábado (15). “O intuito é unir forças e fazer uma orientação de casa em casa, mobilizando toda a prefeitura, não só os agentes de endemias e a Saúde, mas todos os servidores. Queremos também envolver nesse processo as Forças Armadas, a sociedade civil, clubes de serviços e entidades assistenciais, para que possamos fazer uma grande ação de conscientização”, explicou o prefeito Chico Brasileiro.

O gerente técnico da vigilância epidemiológica, Roberto Doldan alerta para a antecipação da epidemia este ano no município. “Foz já tem um histórico de epidemias, por conta da fronteira, proximidade com o Paraguai, que este ano já registra epidemia também, mas esse aumento sempre acontecia mais tarde, no mês de março e em 2020 já começou em janeiro. Então é preciso que a população colabore, o poder público está agindo, mas precisa dessa contrapartida”, alerta.

Ele ainda cita o clima propício para a proliferação do mosquito com muito calor e chuvas frequentes. E alerta a população para a busca de atendimento médico ao apresentar qualquer sintoma. “Nós pedimos para que a população busque atendimento, mas que sejam preferencialmente nas unidades básicas de saúde e não nas UPAs, que têm ficado cheias e onde devem ser atendidos casos mais graves e emergenciaisas”, enfatiza Roberto.

Cidades em epidemia

No Estado já são 62 cidades em epidemia. Em uma semana foram 12 novos municípios que entraram para a lista. No oeste, seis cidades constam na lista da Sesa: Quatro Pontes, Guaíra, Braganey, Jesuítas, Nova Aurora e Tupãssi.

Mortes e dengue grave

Subiu para 13 o total de mortes no Paraná em decorrência da dengue, uma delas na região oeste, no Município de Jesuítas. No mesmo período do ano passado, não havia registro de morte no Paraná por dengue.

Dengue com sinais de alarme, mais conhecida como dengue hemorrágica, já atingiu 305 pessoas, aumento de 10.066% se comparado ao mesmo período do ano passado.

Dados das regionais

Na 10ª Regional de Saúde de Cascavel, há 1.627 notificações, aumento de 348 em uma semana. Já os casos confirmados passaram de 258 para 315 na regional. Há registro de um óbito.

Já na Regional de Foz do Iguaçu, são 5.751 notificações, aumento de 1.757 em relação à semana anterior. Os casos confirmados já são 338, sem morte confirmada.

Na 20ª Regional de Toledo são 2.074 notificações e 1.226 casos confirmados. Também não há registro de óbito.

Números desatualizados

Apesar do alto número de casos de dengue confirmados no Paraná, eles estão desatualizados com relação aos municípios. Em Cascavel, por exemplo, o boletim divulgado ontem informa 51 casos da doença, mas o controle do Município já registra 85. Somente na última semana houve o registro de 108 notificações. Além disso, há ainda 264 casos em análise.

Esse quadro coloca o Município em alerta máximo, com um alto risco para epidemia, considerando o índice de infestação de 5,2% do LirAa (Levantamento de índice Rápido Amostral por Aedes aegypt).

De acordo com a diretora de Vigilância em Saúde, Beatriz Tambosi, o Município teve um salto no número de casos confirmados, visto que semana passada eram 43, e isso se deve à mídia, que tem esclarecido à população os sintomas da dengue e levado muitos cidadãos a procurar o atendimento médico. “Isso fez com que as pessoas ficassem mais alertas aos sinais e aos sintomas”, acredita.

Segundo ela, a maioria dos exames está sendo feito em laboratórios privados de Cascavel. Apenas as amostras de casos graves, com sinais de alarme, gestantes e menores de 12 anos são enviadas ao Lacen (Laboratório Central do Estado do Paraná), o que significa cerca de 10% do total de casos.

Além disso, a equipe da Vigilância Epidemiológica de Cascavel tem atuado na busca ativa de pacientes que são suspeitos de dengue, mas não tiveram amostras coletadas. “Ainda temos bastantes casos sem coleta. É importante que esses cidadãos compareçam ao laboratório com o pedido do médico e façam o procedimento”, detalha.

 

 

JK

Receba as principais notícias através do WhatsApp

ENTRAR NO GRUPO

Lembre-se: as regras de privacidade dos grupos são definidas pelo Whatsapp. Ao entrar seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.


Fale com a Redação