Brasília – A crise nos reservatórios que o País enfrenta pode causar a paralisação da hidrovia Tietê-Paraná a partir de julho. A medida foi listada como “necessária” pelo presidente do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), Luiz Carlos Ciocchi, durante audiência pública na Comissão de Minas e Energia da Câmara nessa terça-feira (15).

Foram apresentados dois cenários: a paralisação da via ou a redução do calado dos navios que navegam na hidrovia, o que reduz a capacidade de transporte. “Estamos discutindo essa ação a nível federal através do Ministério da Infraestrutura, e com o Dnit [Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes]. Também já falamos com o governo de São Paulo para que a gente possa fazer isso de forma controlada e planejada”.

Segundo dados do ONS, a redução do calado dos navios resultaria em um ganho de 0,5% de energia armazenada. Já a paralisação total da hidrovia geraria um ganho de 1,6%. A hidrovia é um dos principais corredores fluviais do País, importante para o transporte de grãos, madeira, areia e cana.

Outras medidas necessárias apontadas pelo ONS são as restrições da vazão das usinas hidrelétricas de Jupiá e Porto Primavera, autorizadas pelo Ministério de Minas e Energia recentemente, e a flexibilização da operação dos reservatórios do Rio São Francisco.

De acordo com Ciocchi, essas ações permitem acionar mais usinas termoelétricas e estocar água para ser usada em outubro e novembro. “Se não adotamos essas ações chegaremos em 2022 em uma condição muito frágil para atender a necessidade de energia daquele ano”, disse aos deputados.

O governo também deve aplicar outras medidas, como o aumento na importação de energia da Argentina e do Uruguai, prevista para o fim de julho, ações para garantir combustíveis para térmicas e realizar uma campanha de conscientização do uso de água e energia. Também está em análise antecipar as obras de linhas e infraestrutura de transmissão de energia.

 

Luz mais cara

As ações devem pesar no bolso dos consumidores, que irão pagar uma conta de luz mais cara. Mas, sem as medidas, o ONS estima que os reservatórios do Sudeste e do Centro-Oeste, mais importantes do setor elétrico, chegarão com 7,5% da energia armazenada em novembro. Com as medidas, a estimativa é de que chegue no mesmo período com 10,3%.