Brasília – A expansão econômica ficou um pouco abaixo do esperado nos últimos meses, avaliou o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), na edição da Visão Geral, da Carta de Conjuntura, divulgada ontem. Por isso, o Ipea admitiu que revisará a projeção para o crescimento da economia, este ano.

Em março, o Ipea divulgou projeção de crescimento de 1,9% do PIB (Produto Interno Bruto), soma de todos os bens e serviços produzidos no país, para o primeiro trimestre de 2018. Para o ano, a estimativa ficou em 3%.

Para o órgão, o principal impulsionador de crescimento econômico atual é o ciclo de reduções da taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 6,5% ao ano, o menor nível histórico, e que deve ser reduzida em mais 0,25 ponto nesta quarta-feira. “Os indicadores de atividade econômica que têm reagido mais fortemente são justamente aqueles que sofrem influência mais direta das taxas de juros e da oferta de crédito – em particular, os setores de bens de capital e de bens de consumo duráveis”, diz o instituto.

Mercado de trabalho

Segundo o Ipea, a “recuperação relativamente lenta da atividade econômica transparece também nos dados de mercado de trabalho”. “A taxa de desocupação, calculada com dados ajustados para a sazonalidade, vem mantendo-se praticamente estável nos últimos três trimestres, girando em torno de 12,5% – patamar ainda muito alto. Além disso, observou-se desaceleração da taxa de crescimento da população ocupada, que passou de 2,1% no trimestre móvel encerrado em janeiro, ante a igual trimestre do ano anterior, para 1,8% em março”, destacou.

O Ipea lembrou ainda que “parte significativa dos empregos que estão sendo gerados refere-se ao setor informal, o que é normal para períodos iniciais de retomada”.

Para um terço dos empresários, Copa vai impulsionar vendas

São Paulo – A um mês do início da Copa do Mundo, que este ano será na Rússia, a expectativa é de que o evento esportivo movimente a economia brasileira, mesmo a distância. Estudo realizado pelo SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) e pela CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) revela que três em cada dez (33%) micros e pequenos empresários dos ramos do comércio e de serviços estimam que as vendas dos setores como um todo aumentem no período dos jogos. Outros 19% enxergam uma queda no volume de vendas, enquanto 47% acham que o torneio não terá impacto no resultado dos segmentos. Dentre os que projetam crescimento nas vendas da própria empresa (20%), a estimativa é de que o volume médio de vendas seja 27% superior ao mês anterior do mundial.

Na percepção da maioria dos empresários entrevistados, esse otimismo refere-se ao aumento do faturamento, principalmente em setores que lucram com o consumo sazonal de produtos nesta época e estão diretamente ligados ao evento, como souvenirs (80%), comércio informal (72%), bares e restaurantes (68%), supermercados (66%), comércio eletrônico (57%) e transporte (51%). “A Copa do Mundo sempre injeta ânimo na economia e deve aquecer, sobretudo, os setores do comércio e de serviços, que encontram uma oportunidade gerada pelo clima de euforia das torcidas com as comemorações após as partidas”, destaca o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Junior.

Outro dado curioso mostra que, para 29% dos entrevistados, o aumento das vendas do próprio negócio com a Copa depende do desempenho da Seleção Brasileira nos gramados, sobretudo se o time chegar até a final (21%) – esse percentual é ainda maior (25%) entre os comerciantes.