Dia 23 de novembro é celebrado o Dia Nacional de Combate ao Câncer Infanto-Juvenil. A data alerta para a importância do diagnóstico precoce da doença para garantir a saúde e o bem-estar de milhares de crianças e jovens. Dados do Inca (Instituto Nacional de Câncer) mostram que, para o biênio 2018-2019, serão registrados, para cada ano, 12.600 novos casos de câncer em crianças e adolescentes até 19 anos – mais de uma ocorrência por hora.

O Instituto Ronald McDonald desenvolve e coordena programas – Diagnóstico Precoce, Atenção Integral, Espaço da Família Ronald McDonald e Casa Ronald McDonald – que possibilitam diagnóstico precoce, encaminhamento adequado e atendimento integral e de qualidade para os jovens pacientes e seus familiares.

Somente o programa Diagnóstico Precoce, por exemplo, já promoveu, desde 2008, a capacitação de mais de 15 mil profissionais de saúde, responsáveis pela cobertura de quase 18 mil crianças e adolescentes de até 19 anos em 14 estados brasileiros.

Os resultados do programa Diagnóstico Precoce apontaram os seguintes indicadores nos locais capacitados: aumento de 23% nos encaminhamentos de crianças e adolescentes com suspeição da doença para um serviço especializado, e diminuição de 61% (de 13 para 5 semanas) do tempo de trajetória da criança entre a suspeita e o diagnóstico.

“O câncer é a maior causa de morte entre crianças e adolescentes por doença. Como causa geral, a patologia só perde para as causas naturais. Em 2001, quando fizemos o primeiro planejamento estratégico do Instituto, levantamos pontos cruciais para mudar a realidade dessa doença nas instituições que ajudaram a criar a ONG. O primeiro deles foi a importância de a criança ser tratada por um oncologista pediátrico, pois ela tem um sistema biológico singular”, explica Chico Neves, superintendente do Instituto Ronald McDonald.

Tumores mais frequentes

O câncer infantil corresponde a um grupo de várias doenças que têm em comum a proliferação descontrolada de células anormais e que pode ocorrer em qualquer local do organismo. Os tumores mais frequentes na infância e na adolescência são as leucemias (que afeta os glóbulos brancos), os do sistema nervoso central e os linfomas (sistema linfático).

Também acometem crianças e adolescentes o neuroblastoma (tumor de células do sistema nervoso periférico, frequentemente de localização abdominal), tumor de Wilms (tipo de tumor renal), retinoblastoma (afeta a retina, fundo do olho), tumor germinativo (das células que vão dar origem aos ovários ou aos testículos), osteossarcoma (tumor ósseo) e sarcomas (tumores de partes moles).

Assim como em países desenvolvidos, no Brasil o câncer já representa a primeira causa de morte (8% do total) por doença entre crianças e adolescentes.

Nas últimas quatro décadas, o progresso no tratamento do câncer na infância e na adolescência foi extremamente significativo. Hoje, em torno de 80% das crianças e dos adolescentes acometidos de câncer podem ser curados se diagnosticados precocemente e tratados em centros especializados. A maioria deles terá boa qualidade de vida após o tratamento adequado.

A data foi instituída com os seguintes objetivos:

– estimular ações educativas e preventivas relacionadas ao câncer infantil;

– promover debates e outros eventos sobre as políticas públicas de atenção integral às crianças com câncer;

– apoiar as atividades organizadas e desenvolvidas pela sociedade civil em prol das crianças com câncer;

– difundir os avanços técnico-científicos relacionados ao câncer infantil;

– apoiar as crianças com câncer e seus familiares.

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Diagnóstico precoce: Uopeccan capacita profissionais de UBS

Referência no tratamento de câncer, a Uoppecan (União Oeste Paranaense de Estudo e Combate ao Câncer) de Cascavel tem bons motivos para celebrar a data: “Nós capacitamos toda a rede médica regional. Todos os médicos das unidades de saúde estão nos ajudando a identificar precocemente o câncer infantil. Pois quanto antes identificado, as chances de cura chegam a 70%, 80% dos nossos casos”, diz a oncologista pediátrica Aline Rosa.

Essa chance de cura é resultado de um trabalho de mais de uma década e que nos últimos cinco anos foi visto na prática. “Quando a gente recebe a criança em um estágio precoce vemos o resultado das capacitações. E quem ganha é o paciente, que terá mais chances de cura do que se chegasse em um estágio mais avançado”, ressalta.

Hoje a Uopeccan está com 130 pacientes na oncopediatria em tratamento, cerca de 80 novos chegaram somente neste ano. Os casos mais frequentes são leucemia, tumor de sistema nervoso e linfoma. “Além desses, há muitos outros, mas a leucemia sempre tem mais incidência”, explica a médica. E esse é o tratamento mais demorado, podendo chegar a três anos.

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Pais, fiquem atentos!

A oncologista pediátrica Aline Rosa chama a atenção dos pais para ficarem atentos aos seguintes sintomas: palidez; manchas rochas pelo corpo; aumento de ínguas no pescoço e na barriga; dor de cabeça constante seguida de vômito; e febre sem origem identificada. “O quanto antes os pais identificarem os sintomas e levarem a criança a um pediatra, ou à unidade de saúde, as chances de cura são mais altas. Todos precisam ficar bem atentos”.