São Paulo – Em um dia de poucos acontecimentos no cenário local, mas com a divulgação acima do esperado da inflação dos Estados Unidos, a Bolsa brasileira (B3) se apoiou no mercado de Nova York para emendar o segundo ganho consecutivo, em alta de 0,13%, aos 130.076,17 pontos nessa quinta-feira (10). No câmbio, o dólar foi pressionado durante parte da sessão pelo avanço do índice inflacionário americano, mas chegou ao fim em queda de 0,07%, cotado a R$ 5,0658.

Segundo divulgado ontem, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, subiu 0,6% em maio, resultado que veio acima da projeção de analistas. Com isso, o principal indicador de inflação do país americano passa a ter alta anual de 5%, maior avanço inflacionário no país desde agosto de 2008.

“A leitura que o mercado faz desse dado de inflação nos Estados Unidos é simples: se tem mais inflação, necessariamente o Fed [Federal Reserve, banco central americano] vai ter que elevar a taxa de juros antes do que vinha projetando lá para 2023, 2024, o que resulta em apreciação do dólar. O Governo Biden é pró-estímulos, então há essa liquidez não só da política monetária, mas também da política fiscal”, explica Camila Abdelmalack, economista-chefe da Veedha Investimentos.

Além disso, apesar do avanço dos dados econômicos, o país ainda não se recuperou totalmente, em especial o mercado de trabalho. O número de pedidos de auxílio-desemprego caiu 9 mil na semana encerrada em 5 de junho, ficando abaixo das previsões dos analistas consultados pelo The Wall Street Journal.

Com isso, de forma geral, prevaleceu a leitura benigna, de que a inflação acima do esperado reflete a normalização da atividade americana, que já experimenta os benefícios proporcionados pela massificação da vacina – como atesta a fase decisiva da liga de basquete profissional, a NBA, com ginásios cheios de torcedores sem máscara.

Diante da expectativa de que a vacinação normalize a economia ainda neste ano, o Itaú Unibanco elevou a projeção para o PIB em 2021, de alta de 5,0% para 5,50% – para 2022, vê desaceleração, para 1,80%. O Copom deve elevar a taxa Selic para 6% até o fim de 2021, e não mais a 5,50%, de acordo com o Itaú. Em nota, a instituição aponta que a medida é necessária para conter os riscos de propagação da inflação mais alta para o horizonte relevante de política monetária, evitando deterioração adicional das expectativas e trazendo o IPCA para perto da meta em 2022.