A histórica falta de profissionais da Polícia Civil faz com que o acúmulo de atividades vire regra e alguns casos chamam a atenção. Um escrivão da 15ª SDP (Subdivisão Policial) de Cascavel, que, além da função oficial, é designado no setor de Relações Públicas, agora tem mais uma atividade: trabalhar no Funrespol (Fundo Especial de Reequipamento Policial) do Município, setor que é responsável por assuntos relacionados a alvará de estabelecimentos fiscalizados pela polícia.

Isso porque a servidora que estava na função se aposentou e não há contratação. Ela também acumulava atividades: o Funrespol e o RH (Recursos Humanos).

A atividade de recursos humanos ficou concentrada na recepção da 15ª SDP com a saída da policial. Acúmulo que se tornou necessário por falta de gente para fazer o trabalho.

“No geral, há 50% de deficiência tanto de delegados quanto de escrivães ou de investigadores”, relata Reinaldo Bernardini, do setor de Relações Públicas, que é mais um dos muitos policiais que acumulam setores.

Pelo serviço a mais não há adicional no salário: “É apenas um adicional de serviço mesmo, não há um pagamento a mais por isso”.

Déficit

O efetivo da Polícia Civil é o mesmo de 1980. De acordo com a Polícia Civil, a previsão de cargos para escrivão, por exemplo, é de 1.400 profissionais no Paraná. Porém, 600 atuam em todo o Estado. O número de delegados de polícia também é limitado. São pouco mais de 400 que atuam em todo o Estado, quando, segundo a Adepol (Associação dos Delegados de Polícia), deveriam ser quase 800.

Neste ano, 20 novos delegados foram nomeados. Para tentar amenizar o problema, a governadora Cida Borghetti também autorizou, no mês passado, concurso para 100 escrivães.