
Cascavel e Paraná - O ano de 2025 ficou marcado como uma temporada de sentimentos mistos para o FC Cascavel — daqueles campeonatos que o torcedor guarda na memória não pelos títulos, mas pelas cicatrizes. Dentro de campo, a Serpente Aurinegra alternou lampejos de esperança com tropeços que doeram fundo, daqueles que tiram o sono e fazem o torcedor refazer contas na ponta do lápis. Fora das quatro linhas, porém, o clube mostrou que segue de pé, reforçando pilares importantes, especialmente na organização administrativa e no fortalecimento das categorias de base. Agora, com a estreia no Campeonato Paranaense de 2026 marcada para a próxima quinta-feira (8), a Serpente tenta virar a página, sacudir a poeira e transformar os erros recentes em aprendizado — porque no futebol, quem não aprende, repete.
A reportagem do Hoje Express conversou com o presidente do clube, Valdinei Silva, que fez um balanço franco dos acertos e equívocos da temporada. Sem fugir do jogo, o dirigente falou sobre a gestão do FC Cascavel, os investimentos realizados e o papel estratégico da base, com destaque para o time sub-20. Pela segunda vez consecutiva, os “Piás do Ninho” disputam a Copa São Paulo de Futebol Júnior, a tradicional Copinha, aquela vitrine onde sonhos ganham chuteiras e carreiras começam a ser escritas.
Paranaense escapou pelas mãos
O Campeonato Paranaense de 2025 ainda dói como bola mal recuada que vira gol contra. O FC Cascavel tinha a classificação praticamente encaminhada, com a faca e o queijo na mão, precisando de apenas dois pontos em quatro rodadas. Mas o futebol, esse senhor imprevisível, resolveu testar os nervos do Aurinegro. A equipe somou apenas um ponto no momento decisivo e acabou eliminada ainda na primeira fase, de forma precoce, inesperada e cruel.
“Foi um ano de muito sofrimento para nós. Estávamos praticamente classificados, mas complicamos nossa própria situação”, relembra Valdinei Silva. A queda foi um balde de água fria, desmontou o planejamento e aumentou a pressão sobre o restante da temporada, transformando confiança em cobrança e tranquilidade em desconfiança.
O mata-mata que dói
Em meio às pancadas, a Copa do Brasil surgiu como aquele respiro no meio do round. Jogando no Estádio Olímpico Regional, o FC Cascavel escreveu mais um capítulo de sua jovem história ao eliminar o América Mineiro, com vitória por 1 a 0, empurrado pela torcida, que fez sua parte e jogou junto até o apito final.
O sonho, porém, parou novamente na segunda fase. Fora de casa, diante da Aparecidense, o Cascavel caiu com um gol sofrido nos acréscimos — quando o relógio já parecia aliado. Mais uma vez, a tão sonhada terceira fase, inédita para o clube, ficou no quase, naquele detalhe que separa o herói do coadjuvante.
Na Série D do Campeonato Brasileiro, o time deu sinais claros de reação. A primeira fase foi consistente, competitiva, com cara de time organizado e difícil de bater. Mas o futebol tem dessas armadilhas. Chegou o mata-mata, e o velho fantasma voltou a rondar. Na segunda fase, a Serpente Aurinegra acabou eliminada pelo Barra-SC, dando adeus ao sonho do acesso. “Conseguimos fazer uma boa primeira fase, mas paramos novamente no primeiro mata-mata”, resumiu o presidente, com aquele sentimento incômodo de quem sabe que dava para ir mais longe.
Erros que não perdoam
Se dentro de campo o time oscilou, fora dele aconteceu o episódio mais indigesto da temporada. Na Taça FPF, o FC Cascavel foi eliminado após a escalação irregular de um atleta, o que resultou na perda de 15 pontos. Uma punição pesada, que encerrou a campanha de um time que, segundo a própria diretoria, tinha bola, elenco e chances reais de brigar pelo título.
“Por uma falha administrativa fomos eliminados de um campeonato que tínhamos grandes chances de vencer”, lamentou Valdinei. Um erro que virou lição, daquelas que doem no bolso e no orgulho, e que reforçou a necessidade de ainda mais rigor nos bastidores.
Tudo pronto para os primeiros “3 pontos”
O calendário já virou. O Cascavel iniciou a pré-temporada pensando em 2026 com uma série de jogos-treino para dar ritmo, testar peças e ajustar engrenagens. A equipe venceu o sub-20 do próprio clube e empatou compromissos contra adversários de Maringá. Fora de casa, ficou no 0 a 0 com o Galo Maringá. No Olímpico, novo empate sem gols diante do Maringá FC. O último teste foi na fronteira, contra o Foz do Iguaçu.
Placar que não entra para a história, mas serve para o treinador observar, corrigir e integrar jovens atletas. A estreia oficial será no dia 8 de janeiro, em casa, contra o Azuriz, quando a bola finalmente rolará valendo três pontos.
O trabalho na base também rendeu frutos na comissão técnica. O treinador César Bueno, que comandava o sub-20, ganhou a chance de assumir o time profissional. A escolha segue a lógica da continuidade. “Subimos praticamente dez garotos da base e colocamos um treinador que já conhece a gurizada e o nosso ritmo de trabalho”, explicou o presidente. A permanência do auxiliar Zé Luiz completa o pacote de estabilidade.
Base forte: O futuro hoje!
Se o time principal sofreu em 2025, as categorias de base viveram um roteiro bem diferente. Os “Piás do Ninho” foram vice-campeões do Campeonato Paranaense Sub-20 e recolocaram o clube em evidência no cenário estadual, mostrando que o futuro pode ser promissor.
Além disso, o sub-20 garantiu vaga na Copa São Paulo de Futebol Júnior pela segunda vez consecutiva. “Na base fizemos dois bons campeonatos. Estamos plantando agora para colher mais à frente”, afirmou Valdinei.
Antes mesmo da estreia no Estadual, os garotos já encaram um grande desafio. O Cascavel estreia na Copinha neste sábado (3), contra o Juventus-SP. Na terça-feira (6), enfrenta o Retrô-PE e encerra a primeira fase na sexta (9), diante do São Bento-SP. “A expectativa é passar pelo menos da primeira fase”, projeta o presidente, com os pés no chão e o coração esperançoso.
Convicção no planejamento e no caminho
Apesar dos tropeços esportivos, o FC Cascavel virou a página de 2025 com discurso firme fora de campo. Segundo a diretoria, o clube mantém as contas em dia, estrutura organizada e planejamento definido. “Estamos bem organizados financeira e administrativamente. Temos plena convicção de que estamos no caminho certo”, garante Valdinei.
Para 2026, a receita é simples e antiga como o futebol: aprender com os erros, ter paciência, confiar no trabalho — e contar com um pouco de sorte, porque sem ela, ninguém levanta taça.