
“Ela entrou na sala, perguntou quem era o Caíque e disparou: o programa está ótimo, não precisa de mudanças. Quando eu disse o contrário, o mundo desabou. Você está me demitindo, gritou, furiosa. Cida tentou argumentar: seria uma prorrogação de 2 meses, até 5 de janeiro e um novo contrato, semelhante ao que temos com a jornalista Roseann Kennedy, seria discutido pelas partes. Aí Leda foi a Leda que todos conhecemos: ‘Não sou Roseann Kennedy, tenho 40 anos de profissão. Você sempre quis me demitir, Cida Fontes, não entende nada de televisão. Não vou brigar com você, Laerte, que é meu amigo (imagina se não fosse). Os concursados da EBC são incompetentes, desinformados, não gostam de trabalhar’.
? Eu não recebi do Laerte nenhuma proposta de reajuste ou negociação de programa. Ele não fez nenhuma proposta, não houve. Eu perguntei cinco vezes sobre isso. E só havia amigos dele na reunião ? defende-se ela, que grava a atração, ao vivo, até o próximo dia 20.
? O contrato é sempre de um ano. Sempre. Há 20 anos começa no dia 20 de novembro e termina em 5 de novembro. Mas cada um descreve os fatos da maneira que bem entende. Já trabalhei com muita gente e nunca briguei com ninguém ? afirma, dizendo que ainda não pensou se aceitaria uma nova proposta.
Leda Nagle foi demitida na última quarta-feira, dia 7 de dezembro. Ela estava há 21 anos à frente do programa, que estreou dez anos antes de sua entrada. Quatro dias após o fato, ela declarou estar triste e perplexa com a sua demissão. E acusou de falta de caráter os executivos da TV Brasil.
A resposta de Rimoli veio no texto “O show de Leda Nagle”:
“O título “Sem Censura” não pertence à Leda. Há 21 anos, a entrada dela na bancada, em substituição à jornalista Lúcia Leme, foi tempestuosa. Assim são as relações com Leda. É comovente ver a reação dos amigos, jornalistas, artistas que a apoiam. Cegamente, sem ter informações do outro lado (regra básica do bom jornalismo). Torço, do fundo d’alma, para que Leda Nagle encontre seu rumo. Amigos,com certeza, não lhe faltarão. De minha parte, tenho a obrigação de mudar a lógica perversa de que o dinheiro público existe para ajudar amigos e apaniguados. Respeito orçamento e acato os alertas que as áreas técnicas fazem sobre o futuro da empresa. Preocupante, como preocupantes estão as contas do país”.
