Reportagem: Cláudia Neis

Cascavel – Orlando Vascelai Júnior, 37 anos, é apontado pela Polícia Civil de Cascavel como coordenador de uma rede de venda de Cytotec, produto proibido no Brasil e que costuma ser usado como abortivo, pois contém em seu componente misoprostol, elemento sintético que pode causar sérios danos à saúde. Orlando foi preso na manhã de sexta-feira (9) na casa onde mora, no Parque São Paulo, em Cascavel. Ele é filho da secretária de Política sobre Drogas e Proteção à Comunidade de Cascavel, Rosely Vascelai.

Os comprimidos têm preço médio de venda por unidade de R$ 100 e eram enviados por Orlando para todo o Brasil colados dentro de revistas de caça-palavras por meio dos Correios. “A informação de que esse tipo de esquema de venda era feita em Cascavel chegou em abril e desde lá estamos investigando. Com um equipamento de raio-X conseguimos verificar 23 encomendas enviadas em uma semana, cerca de 200 comprimidos. Os destinatários são de diversos estados brasileiros. O investigado usava endereços falsos como remetente, geralmente de lotes baldios”, esclarece o delegado Fernando Zamoner.

A polícia estima que o investigado movimentava cerca de R$ 30 mil por semana.

“Com as investigações foi possível entender que o investigado comandava o esquema, já que havia uma rede de informações para que os pedidos chegassem até o detido e ele fazia os envios”, revela Zamoner.

As investigações continuam para identificar outros integrantes da rede.

Origem

Outra questão investigada ainda é a origem dos produtos. A polícia acredita que a fabricação seja feita no Brasil, mas ainda não há informações de onde ela acontece.

O crime se assemelha ao de tráfico de drogas e a pena pode ir de 3 a 15 anos de prisão. As pessoas que recebiam os medicamentos inicialmente são consideradas vítimas.

Além dos medicamentos, também foram encontrados na casa do investigado R$ 4 mil em dinheiro debaixo do colchão.

Antecedentes

De acordo com a Polícia Civil, o investigado já tinha passagens policiais por outros crimes. Um dos casos foi registrado em 2017, inclusive com a prisão dele, por estelionato mediante fraude sexual. O suspeito se relacionava com uma mulher de outro município e, além de utilizar o nome dela para financiar veículos, emprestava grandes quantias em dinheiro da vítima. O prejuízo sofrido por ela na época chegou a R$ 160 mil.

Não há registros de condenações.

 Sem resposta

A reportagem do Jornal O Paraná procurou a secretária, mãe do rapaz, mas ela não respondeu ao contato nem indicou contato do advogado de defesa.

Já a assessoria de comunicação da Prefeitura de Cascavel informou que não iria se manifestar sobre o caso.