Santa Terezinha de Itaipu – Desde setembro de 2009 o caminho para quem vem do Paraguai pela BR-277 sentido Curitiba não estava tão ocupado com ônibus em comboios como se viu nos últimos dias. No posto de fiscalização da PRF (Polícia Rodoviária Federal) em Santa Terezinha de Itaipu estavam sendo fiscalizados pelo menos quatro coletivos por volta das 18h do último sábado enquanto outros oito passavam pela barreira.

Na rodovia, um dos aspectos que chamavam a atenção diz respeito à velocidade praticada pelos motoristas. Os chamados “jacarezão”, geralmente vazios de passageiros, eram preenchidos de produtos trazidos do Paraguai. Eram veículos enfileirados que de perto lembravam um pouco os comboios intermináveis que lotavam as rodovias no início dos anos 2000 até o fim da década passada.

Os de agora faziam ultrapassagens forçadas, andavam a velocidades muito acima da permitida e alguns se aventuravam pelas marginais em perímetros urbanos para não perder o “ritmo” e driblar a fiscalização dos radares em cidades como São Miguel do Iguaçu, por exemplo. Situações estas muito peculiares às vividas pelos comboios no passado.

No posto do pedágio em Céu Azul, bastaram cinco minutos de observação para contar 12 desses coletivos. Alguns passavam com o chamado “sem parar”, outros se enfileiravam nos guichês convencionais.

Esse movimento diferente à realidade recente nas rodovias faz todo o sentido quando se pensa numa espécie de volta desses comboios lotados com produtos contrabandeados do país vizinho, apesar de o preço do dólar nada atrativo.

O delegado-chefe da Delegacia da Polícia Federal em Cascavel, Marco Smith, reconhece que esse movimento está sendo novamente observado, sobretudo em períodos sazonais. “Muito provavelmente esses comboios estavam trazendo mercadorias para abastecer alguns estabelecimentos comerciais para o Dia das Mães. Os próximos certamente serão em julho, para o Dia dos Pais, e depois para o Dia das Crianças, quando a apreensão de brinquedos cresce muito”, completa.

Mas uma pergunta recorrente é: como é que mesmo depois de um forte trabalho ostensivo para acabar com essas “caravanas” que traziam tantos transtornos e riscos às estradas estão voltando gradativamente, nove anos após terem chegado ao fim?

A justificativa pode estar associada a um movimento determinado pelo próprio governo federal. A Receita Federal não tem doado mais os ônibus a prefeituras e entidades, passando a leiloar os veículos apreendidos. Apesar de muitos terem sido interceptados e enviados para os pátios justamente por contrabando, eles estão voltando à circulação de seis a oito meses após as apreensões. Custam relativamente pouco para serem adquiridos e, caso sejam pegos outras vezes, o dano para o contrabandista não chega a ser tão oneroso.

Alternativas para cercear o avanço

Para o delegado federal Marco Smith, o ideal a ser feito seria vender esses ônibus como sucata, de modo que apenas suas peças sejam utilizadas, impedindo que voltem para as estradas para retroalimentar o mesmo crime. “Os comboios em si não estão voltando, mas se as medidas cabíveis não forem tomadas, eles vão voltar (…) O destino destes ônibus geralmente são os grandes centros, São Paulo, Curitiba, Brasília, então eles seguem por um trecho juntos e depois se separaram nas rodovias. A fiscalização fica menos complicada nesse momento e é onde precisa reprimir”, destaca, ao reforçar que a estratégia de andar em grupo é justamente para dificultar a fiscalização.