Foz do Iguaçu – Os recentes casos de explosões em caixas eletrônicos em estados vizinhos para capitalização monetária de facções criminosas, a tentativa frustrada de novo resgate de presos da Penitenciária Estadual de Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, semana passada e os riscos iminentes de rebeliões em série nas penitenciárias estaduais e nas cadeias públicas nos próximos dias têm colocado o serviço de inteligência das forças de segurança nacional em alerta máximo e com reforço nas ações.

Grupos criminosos, como o PCC (Primeiro Comando da Capital), que tem participação expressiva no crime organizado no Paraná e cada vez mais expande suas ações pelo mundo afora, planejam motins em série a partir da próxima semana, mas não se descarta que isso tenha início ainda neste restinho de ano.

Além disso, o alerta feito pelos serviços de inteligência são para possíveis tentativas de resgate de faccionados presos sobretudo em penitenciárias estaduais e nas cadeias públicas.

O oeste do Paraná estaria no olho desse furacão, já que por aqui está parte dos presos de setores operacionais do bando, como os responsáveis pela capitalização a partir de roubos e furtos, do tráfico de drogas e de armas e do contrabando, com atuação direta no vizinho Paraguai.

Os riscos de motins estão sendo monitorados de perto há semanas, apurou a reportagem do Jornal O Paraná com agentes ligados às forças de segurança.

Essas rebeliões, ordenadas pelo comando geral da facção, estariam diretamente associadas à “não aceitação” do presidente eleito Jair Bolsonaro, que toma posse na terça-feira (1º de janeiro). “O grupo não aceita o resultado das eleições e teme represálias ante a promessa de endurecimento das leis contra o crime organizado, amplamente defendido por Bolsonaro e por seu futuro ministro da Justiça e Segurança, Sérgio Moro”, explicou uma das fontes.

 

PCC fornece cocaína à máfia italiana

O endurecimento das regras contra o crime organizado, especialmente às facções criminosas, pode representar novas perdas ao PCC, que já teria, segundo as forças de segurança nacionais e internacionais, ampla relação com estruturas terroristas como o Hezbollah.

Classificado como célula terrorista, o PCC fornece ao Hezbollah armas, munições e drogas e, em troca, além do pagamento em dinheiro, recebe treinamento de técnicas de guerrilha e de terrorismo.

A mais recente aliança do grupo brasileiro descoberta pelas forças policiais é com a máfia italiana. A relação estaria firme com a Ndrangheta – um dos principais nomes do crime organizado na Europa -, para quem o PCC estaria enviando grandes volumes da droga.

Investigações de quatro países europeus desmantelaram neste mês parte do esquema, que levou dezenas de integrantes da máfia para a cadeia.

As negociações, que envolveriam grandes líderes da máfia com o comando da facção brasileira, já teria resultado no envio de duas toneladas de cocaína e na movimentação financeira de R$ 1 bilhão somente nos dois últimos anos, tornando o PCC o principal fornecedor do entorpecente na América do Sul para o continente europeu.

As investigações apontam ainda que um dos principais nomes da máfia que está em liberdade e mora em São Paulo é que opera como uma espécie de correspondente do grupo que representa.

A Polícia Federal brasileira também acompanha a movimentação do grupo brasileiro que somente nos últimos anos alastrou suas ações para todo o Brasil e para pelo menos cinco países. Na fronteira com o Paraguai, o bando mantém parte da sua estrutura operacional para aquisição e transporte de drogas, armas e munições. Uma das principais fontes de renda também estaria associada ao contrabando de cigarros que entram ilegalmente no Brasil vindos do país vizinho.