Cerca de 160, dos quase 200 presos que estão hoje na Cadeia Pública de Cascavel, que tem capacidade para abrigar 16 detentos devem ser transferidos para a PEC (Penitenciária Estadual de Cascavel). A informação foi repassada por fontes ligadas a Penitenciária e a transferência dos primeiros 40 presos deve acontecer já na segunda-feira (2), de acordo com uma fonte interna da Cadeia Pública de Cascavel.

A transferência acontece após uma série de denúncias e pedidos de ações que terminem com o fechamento total da Cadeia Pública. Na quarta-feira(28) vereadores estiveram no local e levaram até o Ministério Público a situação da superlotação, em que presos se “amontoam” no local. No dia seguinte a OAB-Cascavel pediu ao Estado um cronograma de medidas que levem ao fechamento definitivo da Unidade.

Na última sexta-feira (30) o juiz da VEP (Vara de Execuções Penais) Paulo Damas esteve na Cadeia realizando visita de rotina e em entrevista ao Jornal O Paraná afirmou que a situação da Cadeia é complicada, mas que não cabe ao poder judiciário, nem ao Depen (Departamento Penitenciário), resolver o problema da superlotação que já acontece há anos e que o Estado precisa construir uma Casa de Custódia com pelo menos 600 vagas para presos provisórios, o que resolveria o problema.

Sindicato em alerta

Consultado sobre a possível transferência o Sindarspen (Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná) demonstrou preocupação com a superlotação da PEC e a falta de agentes penitenciários: “O sindicato não vê esse aumento de detentos com bons olhos, uma vez que a possibilidade de uma nova rebelião no local seria grande”, alerta a diretora executiva do Sindicato, Vanderleia Leite.

O sindicato lembra ainda que com o número atual de presos no local já há uma grande defasagem no número de agentes necessários para a PEC. Visto que para os cerca de 970 presos no local hoje existem 103 agentes penitenciários, divididos em 3 equipes, quando o número necessário para garantir a proporção de segurança de presos por agente seria de 195 profissionais. “Aumentar o número de presos no local é colocar não só os agentes em perigo, mas toda a cidade que sente os reflexos de uma rebelião. O Depen já foi oficiado diversas vezes por conta dessa situação e inclusive a direção regional já reconheceu que existe uma defasagem de 60% no efetivo”, complementa Vanderleia.

Depen

Questionada sobre as possíveis transferências, a coordenação regional do Depen negou que exista algo nesse sentido por enquanto.