Polícia Federal deflagra operação contra a lavagem de dinheiro em Foz do Iguaçu

As contas bancárias controladas pelas pessoas investigadas movimentaram mais de R$ 65 milhões de origem ilícita no período de 2010 a 2017

Foz do Iguaçu/PR – A Polícia Federal deflagrou na manhã desta sexta-feira (31) a Operação “Ação Dourada”, com o propósito de desarticular um grupo especializado na prática de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. As contas bancárias controladas pelas pessoas investigadas movimentaram mais de R$ 65 milhões de origem ilícita no período de 2010 a 2017.

Foram cumpridas três ordens judiciais (mandados de busca e apreensão), expedidas pela 14ª Vara Federal de Curitiba. Os investigados poderão responder pelos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e operação irregular de instituição financeira.

As investigações, iniciadas em 2014, tiveram como foco um grupo criminoso, liderado por um operador financeiro, que utilizava contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas para receber vultosos valores de pessoas interessadas em adquirir a disponibilidade financeira no exterior (Paraguai).

Pessoas físicas e jurídicas espalhadas pelo Brasil, incluindo traficantes de drogas, empresários e “cigarreiros”, necessitam enviar dinheiro para o Paraguai a fim de adquirir, respectivamente, drogas, mercadorias e cigarros. O dinheiro “sujo” era inicialmente creditado nas contas controladas pelo grupo criminoso.

Em seguida, após o contato com algum operador financeiro sediado no Paraguai, a disponibilidade financeira do equivalente em moeda estrangeira é liberada no exterior. Esses valores eram utilizados para liquidar o débito que os brasileiros remetentes de recursos para as contas investigadas adquiriram com os fornecedores de mercadorias localizados no Paraguai.

Estas operações somente se tornam possíveis porque os operadores financeiros no Paraguai acolhem moedas estrangeiras de pessoas físicas e jurídicas que, de alguma maneira, obtiveram dinheiro no Paraguai e pretendem transferi-lo para o Brasil. Os reais de origem espúria angariado pelo grupo investigado era então utilizado para satisfazer o interesse daqueles que entregaram moeda estrangeira no Paraguai e queriam o equivalente no Brasil.

Considerando que não há, em regra, a saída física de moeda dos países envolvidos, essa composição de interesses que ocorre por meio do sistema internacional de compensação paralelo, sem registro nos órgãos oficiais, é conhecido como dólar-cabo.

A operação, batizada de “Ação Dourada”, está relacionado ao nome, em inglês, de duas correspondentes cambiais vinculadas ao grupo investigado.


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